Há convites que chegam como compromisso. Outros chegam como privilégio. Estive esta semana em Brasília, escolhido para representar o município como delegado na 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Confesso que senti um orgulho difícil de explicar. Não aquele orgulho vaidoso, que faz a gente querer aparecer na fotografia. É um orgulho mais silencioso. Daqueles que lembram que, por trás de um crachá, existe uma cidade inteira esperando ser bem representada.
Vivemos um tempo em que muita gente acredita que Brasília é um lugar distante, quase um planeta à parte. Mas não deveria ser assim. É lá que muitas decisões começam. E é justamente por isso que participar de uma conferência nacional promovida pelo Governo Federal significa muito mais do que ocupar uma cadeira em um auditório. Significa levar a voz da nossa realidade para uma mesa onde o Brasil pensa o próprio futuro.
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável não são apenas uma lista bonita de intenções elaborada pela ONU. Eles falam sobre aquilo que qualquer cidadão deseja quando acorda pela manhã: educação de qualidade, saúde, cidades mais humanas, respeito ao meio ambiente, oportunidades para todos, combate às desigualdades e um desenvolvimento que não deixe ninguém para trás.
No papel parece simples. Na prática, sabemos o tamanho do desafio. Por isso, conferências como esta têm valor. Porque aproximam quem vive os problemas de quem ajuda a construir as soluções e porque lembram que políticas públicas não nascem apenas dentro dos gabinetes. Elas também surgem da escuta, do diálogo e da participação.
Representar nossa cidade nesse ambiente é uma responsabilidade que carrego com enorme gratidão. Cada experiência vivida essa semana, cada conversa com gente do Brasil todo: servidores públicos, educadores, lideranças comunitárias e tantas pessoas que trabalham diariamente para melhorar a vida coletiva acaba viajando junto na bagagem.
Não fui sozinho, pois levei um pouco de cada história que faz desta cidade o lugar onde escolhi viver, trabalhar e acreditar.
Também voltei diferente. Toda oportunidade de ouvir experiências de outros municípios, conhecer projetos bem-sucedidos e trocar ideias amplia nossa visão. Afinal, ninguém tem todas as respostas. Mas quando diferentes realidades se encontram, aumentam as chances de encontrarmos bons caminhos.
Vivemos tempos em que é comum enxergar apenas aquilo que nos divide. Talvez por isso encontros como este sejam tão importantes. Eles nos lembram que existem causas maiores do que as diferenças políticas, partidárias ou ideológicas. Cuidar das pessoas, proteger o planeta e construir cidades melhores deveria ser um objetivo comum.
Foi uma honra representar Mairiporã na primeira Conferência Nacional dos ODS. Mais do que isso, foi um compromisso. Porque o verdadeiro sentido de representar uma cidade não está em dizer de onde viemos. Está em voltar para casa trazendo ideias, experiências e esperança de que sempre é possível fazer melhor.
E, convenhamos, levar o nome da nossa cidade para um espaço onde o futuro do Brasil está sendo pensado é daqueles motivos que fazem qualquer um voltar para casa com o coração um pouco maior.
Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”