Leitura infantil não mexe só com vocabulário e imaginação da criança

Em roda de leitura, livros ilustrados e narrativas de ficção e fantasia, a criança treina atenção, interpreta emoções e acompanha conflitos entre personagens. Esse percurso ajuda a explicar por que tantos estudos ligam o hábito de ouvir e ler histórias ao fortalecimento da empatia cognitiva, uma habilidade central no desenvolvimento infantil.

Segundo publicado no site do Correio Brasiliense por Gabriel Leme: “estudos mostram que crianças que liam histórias de ficção e fantasia com frequência desenvolveram maior facilidade o que hoje é conhecido como empatia cognitiva.” A empatia cognitiva é a capacidade de perceber a perspectiva do outro e imaginar o que ele pode estar sentindo ou pensando. Na infância ela não surge pronta. Ela amadurece com conversa, convivência, brincadeira simbólica, repertório emocional e contato com narrativas que mostram intenções e escolhas.

Ficção e fantasia criam um espaço seguro para a criança observar medo, ciúme, coragem, frustação e reparação sem viver tudo aquilo na própria pele.

Atividade contribui para estimular a criatividade. Livros de ação, aventura e sagas popularmente conhecidas podem contribuir positivamente para o desenvolvimento das crianças e, também, de adolescentes. Segundo um estudo publicados pela revista acadêmica Reading and Writing, as pessoas que lêem qualquer tipo de ficção, conseguem ter um melhor resultado nas suas habilidades linguísticas.

No estudo, foi observado que as pessoas que gostavam de ler ficção por lazer tinha pontuações mais altas nos testes do que as demais.

Os diversos gêneros literários podem ser fonte de compreensão do lúdico e os livros popularmente conhecidos podem ajudar as crianças e adolescentes terem assuntos em comum, debater os temas e histórias. Neste sentido, a escola cumpre um papel essencial e pode ser uma fonte de incentivo desses hábitos.

Para estimular o hábito de leitura com os adolescentes, os pais e responsáveis podem conversar aos poucos sobre o tema, criar laços de conexão, relembrar algum livro que marcou a sua infância ou adolescência, um momento de leitura com os pais ou os avós. Essa ligação pode resgatar bons momentos e incentivar os adolescentes a conhecerem novos livros e histórias.

Enfim, ficção e fantasia ajudam bastante nesse processo porque ampliam o repertório sem ficar presas ao cotidiano literal. Um castelo, uma floresta encantada ou um animal falante que a criança interprete regras do enredo, relações sociais e mudanças de perspectivas o tempo todo. Importante utilizar outras ferramentas para mostrar as histórias com filmes, desenhos, séries e peças de teatro que também contam muitas histórias retiradas de livros e muitos são os conteúdos disponibilizados na internet.

Importante demonstrar que muitas pessoas gostam da mesma história, que aquele personagem é conhecido no mundo todo.

 

Essio Minozzi Jr. licenciado em Matemática e Pedagogia, Pós-Graduado em Gestão Educacional – UNICAMP e Ciências e Técnicas de Governo – FUNDAP, foi vereador e secretário da Educação de Mairiporã.