Harmonia não é submissão

Raríssimas vezes o Poder Legislativo em Mairiporã demonstrou ter independência em relação ao Executivo. Não enche uma mão. A interferência de um sempre foi preponderante sobre o outro. Essa prática é nociva aos interesses da população, mas para os vereadores parece que não.

Harmonia entre os dois poderes não significa submissão. Vereadores que ‘participam’ da administração municipal, através de indicações de ocupantes de cargos comissionados, concedem um salvo-conduto ao prefeito para que submeta a Câmara aos seus desejos e necessidades. Isso foi experimentado durante mais de 30 anos na cidade, e o que se viu foi um retrocesso político e um freio naquilo que a cidade poderia ter conquistado. E nesse período de três décadas, não se salva ninguém. Talvez entre 2005 e 2008 e 2011 e 2012, rebeldes resolveram dar as caras.

Existe a expectativa de que essa conduta perniciosa acabe através da redução das estruturas administrativas e o corte de comissionados, diante da crise que tomou conta do País. Por vontade própria certamente isso não ocorreria. Mesmo assim, vereadores vão insistir na nomeação de correligionários e cabos eleitorais.

É importante que os vereadores tenham a percepção de que harmonia entre os poderes não significa submissão. Isso precisa ficar claro, principalmente porque houve uma renovação no Legislativo que há muito não se via. A boa relação entre o prefeito e os parlamentares não deve existir por meio de troca de favores. Nenhum dos dois poderes deve se submeter.

O prefeito é independente para tomar suas decisões e os vereadores soberanos em fiscalizar os atos do Executivo. Isso não significa desentendimento ou oposição gratuita.

Reza o preceito constitucional que os poderes são independentes e harmônicos entre si. Em Mairiporã, no entanto, isso nunca ocorreu, o que é um desrespeito a esse princípio da lei maior do País.

Não foi sem razão que o alto índice de abstenção registrado nas eleições do ano passado demonstrou o descrédito com a atividade política e, em boa medida, com os integrantes da Casa Legislativa.

Interesses particulares não devem se sobrepor aos da coletividade mairiporanense. É preciso pôr fim a esse fisiologismo. O povo já sinaliza, há algum tempo, o desejo do fim desse modo de governar e legislar. Recado dado.

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