Estado termina o ano com déficit de 16 mil policiais civis

O Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) divulgou no decorrer da semana que a Polícia Civil paulista acumula perdas de profissionais e o déficit nos quadros das delegacias, alcançou novo recorde em novembro deste ano, com 16.149 cargos vagos.

Hoje, dos 41.192 cargos previstos para a Polícia Civil, 25.763 estão preenchidos, equivalente a um déficit de 38,5%. Em 2017, quando a defasagem já era elevada, o índice era de 27,2%, segundo a delegada Jacqueline Valadares, do Sindpesp.

Segundo ela, 16 mil profissionais a menos trazem reflexos diretos no serviço oferecido à população e impacta na investigação de crimes e no próprio policial civil, que se vê sobrecarregado pelo excesso de trabalho.

De acordo com o ‘Defasômetro’, o cargo de investigador é o que tem mais vagas a serem preenchidas, com 3.994. Na sequência aparecem escrivão (3.805), agente policial (1.150), delegado (958) e agente de telecomunicações (953). São números referentes a novembro.

A pesquisa mostra, ainda, que 98 policiais se desligaram das funções em novembro, em sua maior parte, por aposentadoria ou exoneração. No período, e a exemplo do que ocorreu nos últimos anos, apesar da existência de candidatos aprovados em concursos para a Polícia Civil, não foram realizadas nomeações por parte do Estado.

“Nomeações imediatas e novos concursos têm de ser realizados com urgência, para recompor os quadros da Polícia Civil. E, não menos importante: é necessário ter um trabalho, uma reestruturação, que incentive o policial a permanecer na carreira. As desistências são, afinal, preocupantes. De toda maneira, o que os números nos mostram é que as saídas não são repostas. O que se espera é que este cenário de abandono das forças de segurança mude com o novo governo paulista”, pontua Jacqueline, se referindo à posse em 1º/1 do governador eleito para a gestão 2023/2026, Tarcísio Gomes de Freitas.

A presidente do Sindpesp destaca outros três grandes problemas que o novo governo paulista vai encontrar na Segurança Pública e que necessitam de urgente solução: desvalorização salarial (os policiais civis do estado têm um dos piores salários do País), falta de investimento em material, ou seja, existência de delegacias desestruturadas; e ausência de investimentos em investigação.

“Há uma grande preocupação no acesso da população no registro do Boletim de Ocorrência. Em contrapartida, não há o mesmo empenho em estruturar equipes que possam instaurar os inquéritos e investigar os conteúdos dos Boletins de Ocorrência”, complementa Jacqueline. (Da Redação – Foto: GSP)