Escárnio

É inacreditável a desfaçatez com que a classe política trata assuntos importantes. Em Mairiporã não é diferente. Semana passada, durante a sessão da Câmara, vereadores falaram sobre a elaboração de um novo Plano de Cargos e Salários para os servidores da Prefeitura. Só pode ser brincadeira. É o quarto plano proposto, e novamente vai demandar mais custos financeiros em sua execução.
O primeiro foi durante o segundo mandato de Jair Oliveira, contratado junto à FGV (Fundação Getúlio Vargas). Plano elaborado, nenhuma discussão e engavetado rapidamente. Ninguém nunca ouviu falar sobre o seu conteúdo. Na gestão do atual prefeito, quando ainda em seu segundo mandato, outro foi encomendado, feito e pago e sancionado ao final das luzes do mandato, com a anuência da Câmara de Vereadores, que certamente não leu a proposta, caso contrário, em nome de um mínimo de responsabilidade, teria recusado. Entrou em vigor em 2013, logo no início do mandato de Márcio Pampuri.
O governo do PV, logo que tomou posse e deitou olhos atentos ao documento, o revogou, pois iria afundar financeiramente a Prefeitura. Armadilha do antecessor? Quem sabe? Ainda durante o governo Pampuri, outro plano teve início e o Sindicato dos Servidores, acreditem os amigos leitores, até chegou a dar alguns palpites. Coisa rara em se tratando do Sindicato. Mas a iniciativa rolou e enrolou. Ou seja, Pampuri levou os interessados na conversa e encerrou o mandato sem concluí-lo.
Ainda com relação aos servidores, também os nobres parlamentares sugeriram que o abono de R$ 270 pagos mensalmente aos funcionários seja incorporado ao salário base para efeito previdenciário. Um escárnio da parte do parlamento municipal.
O que deveria ser discutido, debatido e cobrado do Executivo é um aumento digno de salário ao servidor concursado e um corte ainda mais digno nos cargos em comissão. Porém isso está tão distante da realidade do funcionalismo local como o Japão está do Brasil.
Ao longo dos anos, e principalmente durante os governos do prefeito Aiacyda, os salários se tornaram defasados. Quando Sarkis Tellian foi prefeito, 1993/1996, um salário mínimo à época equivalia a três nos dias de hoje.
Os funcionários, nem todos, só os amigos do rei, são obrigados a viver com uma série de penduricalhos aos ganhos mensais, que lhes garante bons rendimentos ao longo da carreira, mas na hora de aposentar vale apenas o salário base, ou seja, uma miséria, que traz sérias consequências a quem chegou ao fim da vida profissional. A maioria se vê obrigada a procurar outra ocupação para complementar o benefício (em Mairiporã está mais para malefício) da aposentadoria.
Lamentavelmente os prefeitos não têm (exceção a Sarkis Tellian) consideração com os servidores. Por isso mesmo, Plano de Carreira e aumentos reais nos salários são sinônimos de ‘conversa pra boi dormir’

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