De tempos em tempos, a humanidade se divide entre os grandes debates da civilização: qual o melhor time do mundo, quem faz o melhor café e, claro, se estamos ou não sozinhos no universo. Pois bem! Bastou surgirem mais documentos, depoimentos e promessas de revelações sobre objetos voadores não identificados nos Estados Unidos para o assunto voltar à pauta.
E, como quase tudo que acontece por lá atualmente, o nome de Donald Trump acabou entrando na conversa. Não que ele tenha apresentado um extraterrestre numa coletiva de imprensa. Ainda não. Já pensou?
A simples possibilidade de que governos escondam informações sobre visitas interplanetárias é suficiente para fazer muita gente largar o noticiário político e mergulhar em vídeos de luzes estranhas no céu gravados por uma câmera tremendo mais que vara verde. A verdade é que o fascínio pelos ETs diz muito mais sobre nós do que sobre eles. Desde criança, a humanidade olha para cima e faz a mesma pergunta: tem alguém aí?
Convenhamos: olhando para o tamanho do universo, parece até um desperdício imaginar que toda essa imensidão foi construída apenas para abrigar uma única espécie que discute na internet se o planeta é redondo. As estatísticas também não ajudam os céticos. Existem bilhões de estrelas, bilhões de planetas e uma quantidade de galáxias tão absurda que os números deixam de fazer sentido para o cérebro humano.
Diante disso, acreditar que somos os únicos moradores da vizinhança cósmica parece quase um ato de fé.
Por outro lado, se realmente existem civilizações avançadas viajando pelo espaço, é curioso notar que elas escolhem justamente aparecer em vídeos desfocados, feitos por pessoas que nunca lembram de limpar a lente do celular.
Se um dia um ET pousar em praça pública, espero sinceramente que ele escolha Mairiporã. Imaginem a cena. Em poucos minutos, as imagens já estariam nos grupos e páginas como: Mairiporã População, Mil Grau e Fotografia Natural. Alguém já teria oferecido café, apresentado uma capivara e contado da praga do Padre.
Talvez seja justamente essa mistura de mistério, esperança e curiosidade que mantém o tema vivo. Porque, no fundo, a pergunta sobre extraterrestres é também uma pergunta sobre nós mesmos. Sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos.
Enquanto as respostas não chegam, seguimos acompanhando documentos secretos, teorias, depoimentos e promessas de revelações históricas. E fazendo aquilo que a humanidade faz de melhor: especular. Porque uma coisa é certa: se algum dia os extraterrestres realmente aparecerem, a primeira pergunta não será sobre tecnologia avançada ou viagens interestelares.
Será: “E aí, como vocês nos acharam?”
Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”