Disco de vinil comemora 70 anos este mês no Brasil

O húngaro Peter Carl Goldmark foi o responsável pela invenção do disco de vinil, na década de 1940, mas só três anos depois, em 1951, que definitivamente chegou ao Brasil, como um acontecimento inovador para o universo musical. O dia foi 21 de junho. Era uma ‘bolacha’ de 12 polegadas e rodava em 33 1⁄3 RPM, foi lançado pela Columbia Records, com uma gravação de Mendelssohn’s Concerto In E Minor tocada pelo violinista Nathan Milstein.

O formato, que acabou padronizando os LPs, foi fundamental para que a indústria se organizasse, já que até então os formatos físicos eram bastante variados e não apenas tinham tamanhos e rotações diferentes como também eram tocados de formas diferenciadas dependendo de modelos de aparelhos e até da frequência da eletricidade disponibilizada em cada lugar.

O primeiro LP nacional recebeu um nome bem brasileiro: “Carnaval”. Contava com sambas e marchinhas feitas para o carnaval daquele ano na voz de artistas como Heleninha Costa, Os Cariocas e Geraldo Pereira.

Apesar desse começo que parece ter sido o mais apropriado possível, o disco de vinil demorou um tempo até cair nas graças do público brasileiro. Isso aconteceu só em 1964, quando o “bolachão” finalmente deixou para trás os discos de goma-laca.

Por aqui, o vinil foi soberano e dominou o mercado até 1996. É que, lá em 1984 uma nova e mais moderna tecnologia foi lançada: o CD.

A transição dos discos para os pequenos CDs foi relativamente lenta, o que permitiu que as grandes gravadoras seguissem produzindo seus vinis até 1997 – algo que se tornou financeiramente pouco atraente depois.

Mas os discos de vinil nunca deixaram o mercado, ainda que tenham sido relegados a plano secundário ou permanecidos no ostracismo por um bom tempo.

Nos Estados Unidos os LPs nunca saíram do mercado e, pouco a pouco, foram se fortalecendo na Europa e também no Brasil.

Em 2009, empresários brasileiros atentos ao aumento das vendas no exterior recuperaram as máquinas da gravadora que existia em Belford Roxo (RJ) e recomeçaram a produção de vinis por aqui.

Tal retorno foi muito celebrado por quem sempre considerou a qualidade do som dos vinis superior às do CD e dos serviços de streaming. Tanto que até mesmo quem pegou apenas o final da era dos discos de vinil também faz parte dos consumidores dessa mídia nos dias de hoje.

Em 2019, um relatório divulgado pela Associação Americana da Indústria de Gravação (RIAA – sigla em inglês) apresentou a seguinte projeção: pela primeira vez, desde 1986, a venda de discos de vinil deve ultrapassar a venda de CDs!

A projeção se baseia no fato de que a música digital ajudou a derrubar a indústria dos CDs e que alguns artistas e bandas de sucesso contribuíram para a volta dos LPs. Entre eles, estão nomes do rock como os Beatles e o Queen.

Os vinis mais vendidos no mundo, pela ordem: 1. Thriller, de Michael Jackson (1984); 2. Their Greatests Hits, dos Eagles (1976); 3. Hotel Califórnia, dos Eagles (1976); 4. Come On Over, de Shania Twain (1997) e 5. Led Zeppelin IV, do Led Zeppelin (1971).

Entre os nacionais: 1. Músicas para Louvar o Senhor, do padre Marcelo Rossi; 2. Xou da Xuxa 3, de Xuxa Meneghel; 3. Leandro & Leonardo, da dupla Leandro e Leonardo; 4. Quatro Estações – O show, de Sandy e Junior e 5. Rádio Pirata Ao Vivo, do RPM.

O crescimento do mercado de vinis também alavancou as vendas de vitrolas e toca-discos. (Com Obablog – Foto: Universo do Vinil)