Depois da eleição

A crise hídrica que pegou de surpresa todo o Estado de São Paulo há quatro anos, especialmente a população atendida pelo Sistema Cantareira, parece não ter ensinado coisa alguma à Sabesp, concessionária do serviço de abastecimento. Anos se passaram e a situação é semelhante, ou seja, será necessário implantar o racionamento.
Embora a ANA (Agência Nacional de Águas) tenha reduzido a retirada de água das seis represas que formam o Cantareira, o consumo continua alto e não se vislumbra, pelo menos até novembro, que a chuva vá dar as caras e minimizar o problema. O índice de armazenamento está próximo de 35% e vai cair ainda mais.
A situação é assustadora, mas especialistas estão interessados apenas na reeleição do governador Márcio França, o que os leva a fingir normalidade.
E como fizeram as autoridades em 2014, volta a esconder a gravidade do momento e expõe, mais uma vez, a irresponsabilidade do governo estadual e da própria Sabesp. Campanhas com alertas sobre o consumo desenfreado de água já deveriam estar maciçamente veiculadas em toda a mídia (rádio, TV, jornais, revistas, redes sociais), nem que isso signifique expor a brutal incapacidade das autoridades do Estado, que não criaram ações para evitar a repetição da crise.
A verdade é que inexiste gestão hídrica eficiente no Estado, que se mostrou, nesses quatro anos, incapaz de desenvolver mecanismos eficazes para uma produção e distribuição sustentável de água.
A Sabesp insiste em dizer que o abastecimento está normalizado e dá de ombros à possibilidade de desabastecimento. Com o volume morto batendo à porta, a impressão que a concessionária passa é que os reservatórios do Sistema Cantareira estão esbanjando água e não há problemas. Pelo menos até o final da eleição.

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