Um ano depois da primeira reportagem publicada por este jornal, em abril de 2025, a situação de pedintes e moradores de rua só piorou no município. O contingente é cada vez maior e as abordagens para pedir auxílio ou oferecer produtos, muitas vezes são feitas de forma inapropriada, o que gera desconforto e insegurança à população.
Praças, ruas, avenidas, parques, esquinas, praticamente todos os locais da região central da cidade estão ocupados por esse recorte da sociedade, fato que tem causado preocupação na sociedade mairiporanense. O movimento dessas pessoas começa logo às 6 horas da manhã, quando as padarias são abertas e os pedintes se colocam nas proximidades para pedir dinheiro ou mesmo café com pão.
A mais nova modalidade tem ocorrido no interior de supermercados, quando os consumidores são abordados para ‘completar o dinheiro para a compra de alimento’.
Em meio a todos eles, percebe-se a presença de ‘espertalhões’ que se infiltram para tentar ludibriar a boa-fé da população, além daqueles que fazem uso excessivo do álcool e de drogas.
Outra questão que também chama a atenção e preocupa, é o número cada vez maior de pessoas vendendo uma infinidade de produtos (panos de prato, biscoitos, doces, balas, perfumes, objetos de uso pessoal e uma série de outras bugigangas), que se postam principalmente nas proximidades das agências bancárias. Muitas delas são mulheres carregando filhos pequenos.
Outro problema acarretado, é que as portas de estabelecimentos comerciais foram transformadas em local para dormir, o que tem causado inúmeros problemas aos lojistas.
Ao passar por diferentes regiões do município de Mairiporã, é comum encontrar pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Poder público – Contatada pela reportagem, a Prefeitura destacou que diariamente realiza a abordagem social junto às pessoas nessas condições e, aos que não são de Mairiporã, são oferecidas condições para embarcar de volta às cidades de origem.
Também citou que oferta os serviços da Casa de Passagem, onde é possível estabelecer vínculo e com isso tentar tirá-los dessa situação.
Ocorre, ainda de acordo com a Municipalidade, que a maioria rejeita qualquer tipo de ajuda e, por lei, não há como impedir que continuem ocupando as ruas. De todo modo, a Secretaria de Desenvolvimento Social tem intensificado a abordagem.
O aumento de pedintes e pessoas morando nas ruas, tem sido um fenômeno observado em todos os municípios.
Fatores – De acordo com sociólogos, o aumento de pessoas em situação de rua é ocasionado por vários fatores, e um deles é o desemprego. Muitas vezes a falta de acesso ao emprego formal faz com que uma parcela da população não consiga nem mesmo trabalhos informais, e a consequência é viver nas ruas.
Segundo eles, há ainda uma série de circunstâncias que levam uma pessoa a essa situação de vulnerabilidade social. Uma delas é o problema habitacional, que é recorrente até em nações desenvolvidas.
A desestruturação familiar também é um dos elementos que soma. Por desentendimentos, a família acaba se desestruturando e as pessoas acabam indo morar na rua. E o uso de drogas é outra questão séria a ser observada.
Para os sociólogos, trata-se de um problema social complexo e multidisciplinar. (Da Reportagem – Foto: Divulgação)