O comércio varejista do Estado de São Paulo encerrou o primeiro semestre com um saldo preocupante, gerando reflexos diretos nas lojas e no emprego da nossa região. Pressionado pelas condições econômicas nacionais, o volume de vendas registrou queda real no período, interrompendo o ritmo de recuperação esperado para este ano e acendendo o sinal de alerta entre os comerciantes locais.
Para o empresariado de Mairiporã, o resultado negativo confirma o que já vinha sendo sentido no dia a dia da região central, em vias movimentadas como a Avenida Tabelião Passarella e as ruas XV de Novembro e Coronel Fagundes – e também nos comércios distribuídos pelos bairros da cidade. A combinação de orçamentos domésticos apertados com o receio de novas dívidas afastou o consumidor das vitrines, forçando as lojas a adotarem estratégias agressivas de promoção para queimar o estoque.
O peso no bolso – Conforme apontam analistas do setor, a retração do comércio paulista é motivada por fatores que pesam diretamente na rotina do cidadão mairiporanense: – Crédito caro: Os juros elevados encareceram o crediário e o parcelamento no cartão, travando as vendas de móveis e eletrodomésticos; – Custo de vida: Gastos essenciais com alimentação, moradia e transporte continuam engolindo a maior parte dos salários; – Cautela nas compras: O endividamento prévio das famílias fez com que o consumidor local priorizasse o pagamento de contas em atraso.
A realidade de Mairiporã – O impacto nas vendas não foi uniforme. Enquanto os supermercados e as farmácias da nossa região conseguiram manter o giro – já que comercializam itens de primeira necessidade -, os segmentos de vestuário, calçados e automotivos amargaram os piores resultados. Além disso, o setor de gastronomia local, tradicionalmente forte devido ao turismo e ao fluxo de visitantes, também vem enfrentando um ambiente de negócios bem mais restritivo e com custos operacionais elevados.
De acordo com representantes do comércio local, o foco dos lojistas agora se volta inteiramente para as estratégias de sobrevivência e atração de clientes nos próximos meses. A grande aposta para reverter o prejuízo do início do ano está concentrada nas campanhas de liquidação e, principalmente, no planejamento antecipado com o suporte de entidades como a ACE Mairiporã para capacitar as equipes e atrair o público nas datas fortes do final do ano, como a Black Friday e o Natal. (Juarez César/CJ – Foto: Pixabay)