Coluna do Correio
FRASE
“Não há tirania mais cruel que aquela que se exerce à sombra das leis e com as cores da justiça” (Barão de Montesquieu, político, filósofo e escritor francês)
DOMINGO
Dois terços da população mairiporanense, ou seja, 65 mil pessoas, têm direito a votar no domingo, para eleger de deputado a presidente da República. No entanto, ter direito não significa presença garantida nas urnas. O que se viu nas últimas quatro eleições, com altos índices de abstenção (ausência do eleitor), pode perfeitamente se repetir. Os recentes acontecimentos no cenário político nacional, com escândalos e roubalheira quase geral, são um incentivo a não votar.
TIRANIA DEVASSADA
Não dá para se calar diante de tantas controvérsias envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Uma vez expostas as suspeitas e os questionamentos que recaem sobre o exercício de poder por parte de alguns ministros do STF, surgem dúvidas e indagações que não podem ser ignoradas: quantas condenações e descondenações foram determinadas ao longo dos últimos anos? Quantos inocentes podem ter sido condenados por acusações que posteriormente se mostraram inconsistentes? Quantos criminosos tiveram a liberdade restabelecida por uma decisão monocrática? E quantos dos supostos deuses togados, acostumados a decidir sobre os destinos de milhões de brasileiros, poderão ter sua própria conduta submetida ao escrutínio da Justiça?
O caso do Banco Master adicionou uma nova dimensão a essas perguntas. Investigações da Polícia Federal e documentos tornados públicos revelaram relações, contratos e contatos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e pessoas ligadas a ministros do STF. Há, naturalmente, versões e negativas dos envolvidos, e as investigações ainda precisam estabelecer responsabilidades individuais. Mas é justamente diante de tudo isso que surge a pergunta crucial, aquela que talvez permaneça por muito tempo ecoando nos corredores do poder: Quantos Bancos Master existiram antes desse?
A INCÓGNITA
Reportagem publicada por este jornal na semana passada, evidenciou o alto percentual de eleitores que não comparecem às urnas. Em média, nos últimos quatro pleitos (2 gerais e 2 municipais), 14 mil eleitores não votaram. A expectativa para domingo é que esse número se repita, ou seja ainda maior, diante do quadro político vivenciado no País, cujo destaque é a corrupção e o envolvimento de altas autoridades dos três poderes em corrupção. Uma situação que se mostra imponderável, de mensuração impossível, que só vai ser entendida após o fechamento das urnas.
CAMPANHA XOXA
A campanha política em Mairiporã é uma das mais xoxas dos últimos anos. Zero de empolgação dos candidatos e principalmente dos eleitores. Na prática, está faltando dinheiro para publicidade ou argumento para convencer o eleitor. Pode ser também o fantasma do banco Master que esteja assustando aqueles que um dia flertaram com Vorcaro ou simplesmente deram bom dia para o cidadão que corrompeu de pastor até ministros do Supremo Tribunal Federal.
1º TURNO
Todos os institutos de pesquisa, inclusive aqueles que são ‘canhotos’, dão como praticamente certa a reeleição do governador Tarcísio de Freitas no primeiro turno. A escolha para o senador (duas vagas), que durante toda a campanha mostrava a liderança das esquerdistas Marina Silva e Simone Tebet, viu o vento mudar de rota e ambas correm sério risco de não conseguir as cadeiras.
QUOCIENTE (I)
Apenas a título de comparação e para se ter uma noção de grandeza de quantos votos serão necessários para eleger um deputado estadual, recapitulamos a eleição de 2022. Naquele ano, cada partido ou federação precisou somar pelo menos 238.817 votos (contando votos nominais em candidatos e mais os votos na legenda) para conquistar a primeira cadeira de forma direta. O quociente eleitoral é obtido dividindo os votos válidos em todo o estado pelo número de cadeiras na Assembleia que é 94.
QUOCIENTE (II)
Para ocupar as vagas diretas obtidas pelos partidos, a legislação exige que o candidato atinja uma votação nominal mínima equivalente a pelo menos 10% do quociente eleitoral. Em 2022, essa barreira individual ficou estipulada em 23.882 votos. Quanto mais forte o partido, ou seja, quanto mais candidatos com grande potencial de votos, mais difícil a eleição. A agremiação que não alcançar o quociente está fora da disputa. Mesmo que um candidato seja expressivamente votado. A soma do partido é que precisa atingir o quociente.
MESMO TIME?
O assunto sobre trocas no primeiro escalão do governo Aladim corre solto nos corredores do Paço e em rodinhas pela cidade. As especulações de agora podem se materializar mais à frente. Há, sim, descontentamento do chefe do Executivo com alguns setores, o que pode, a partir de janeiro vindouro, resultar em trocas no primeiro e segundo escalões. Aquela certeza de que tudo vai continuar como está, ou mesmo a máxima ‘em time que está ganhando não se mexe’, parece estar com os dias contados. O que poderia ser apenas alterações pontuais, pode ir além disso.