Coluna do Correio 10/2/2017

FRASE
“Entre o governo que faz o mal e o povo que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa.” (Victor Hugo, ensaísta e dramaturgo francês)

SUPERÁVIT (I)
A Secretaria Municipal da Fazenda de Mairiporã, segundo o documento enviado pelo ex-prefeito Márcio Pampuri a este jornal, publicado na edição passada do Correio, sobre o balanço orçamentário de sua gestão encerrada em 31 de dezembro do ano passado, mostra que a Prefeitura terminou 2016 com superávit de R$ 1,57 milhão. Desse montante, a maior parte faz referência a recursos vinculados a convênios e fundos. A menor, a recursos próprios.

SUPERÁVIT (II)
No site da Prefeitura, no link Imprensa Oficial, também foi publicado o mesmo documento com os mesmos números. A pergunta é: de que déficit ou dívida monstruosa o atual prefeito fala quando se refere ao seu sucessor?
CRISE
Definitivamente não dá para entender esse discurso do prefeito acerca da situação econômica difícil da Prefeitura. Primeiro, cria três novas secretarias que devem trazer, a reboque, assessores e outros funcionários; depois compra um veículo zero quilômetro para servir ao gabinete; e também criou 14 novos cargos que podem abarcar 145 comissionados. Prefeito, que crise é essa?
HOSPITAL
A coluna conseguiu dados sobre o repasse de recursos da Prefeitura destinado aos hospitais. No Orçamento deste ano o Hospital e Maternidade Mairiporã (HMM) é contemplado com R$ 2,15 milhões, para manutenção durante os meses de janeiro, fevereiro e março. Outros R$ 7,57 milhões estavam destinados para o novo hospital, Anjo Gabriel. A soma total, de R$ 9,72 milhões, no entanto, foi repassada integralmente ao HMM. Em tese, houve aumento da subvenção sem que houvesse previsão orçamentária. No entanto, isso pode ter sido efetivado por suplementação, o que é permitido. De modo geral, demonstra que o atual governo não tem interesse em colocar o novo hospital para funcionar.
ESTREIA (I)
Os novos vereadores finalmente fizeram suas estreias na abertura do ano legislativo, terça-feira. Mais apagados que balão em dia de chuva, é bom que de diga. Ficou a sensação de que nada vai mudar durante os próximos quatro anos, filme velho e surrado já visto pela população. Ainda resta um fio de esperança que isso mude com o decorrer dos dias.
ESTREIA (II)
Nessa primeira sessão o plenário recebeu bom público, muitos com cartazes e faixas criticando o nepotismo existente na Prefeitura.
ESTREIA (III)
Alguns vereadores que até ontem desciam a lenha no prefeito eleito, e que agora trocam abraços afáveis com ele, precisam estar atentos e conhecer uma frase que vem bem a calhar neste momento: “Assim como não se deve misturar bebidas, misturar pessoas também pode dar ressaca.”
CONTRAMÃO
Na contramão do que acontece em outras cidades da região, o prefeito Aiacyda não compareceu na primeira sessão legislativa do ano. Não é novidade que o chefe do Executivo nutre antipatia pelo poder que ocupou e presidiu anos atrás.
COMISSÕES (I)
Não foram necessários encontros e reuniões para se definir os integrantes das comissões permanentes da Câmara, responsáveis pela emissão de pareceres em projetos. As composições foram feitas de modo a acomodar os interesses do Executivo. Informações de bastidores chegadas a esta coluna revelam que houve consenso, que em bom português significa “manda quem pode, obedece quem tem interesses”.
COMISSÕES (II)
Pela composição anunciada das sete comissões, pode ser extraído um quadro que ficou bem delineado neste início de nova administração: um formado por três oposicionistas (Marcinho da Serra, Alexandre Boava e Nil Dantas), outro por três adesistas (Valdeci Fernandes, Fernando Ribeiro e Carlos Forti) e um neutro (Wilson Sorriso). Os demais são situacionistas.
COMISSÕES (III)
Marcinho da Serra sequer aparece em qualquer das comissões, nem mesmo como suplente; Alexandre Boava é vice (figura decorativa) numa delas e Nil Dantas presidente em outra comissão cujo poder se assemelha ao poder da rainha da Inglaterra.
COMISSÕES (IV)
O presidente da Câmara, Marco Antônio, deveria determinar que as reuniões das comissões permanentes fossem transmitidas ao vivo pela internet. Além da necessária transparência, evitaria que os pareceres fossem feitos ‘no joelho’.
SECRETÁRIOS
No Site Oficial da Prefeitura, salvo erro da coluna, ainda não constam os nomes dos secretários que assumiram em 1º de janeiro, e na Imprensa Oficial nem mesmo outras nomeações realizadas. Estranho. É preciso dar publicidade aos nomes que comandam a administração da cidade.
LÍDER
Como era esperado, o Executivo enviou ofício à Câmara informando o nome escolhido pelo prefeito para liderar o partido na Casa de Leis. A tarefa cabe a Ricardo Vieira, suplente que está no lugar de Essio Minozzi. Ricardo já desempenhava a mesma função em 2016. A torcida, agora, é para que o parlamentar não repita a performance do ano passado, quando levava o público e seus pares a sono profundo, diante dos enfadonhos, longos e confusos pronunciamentos.
DEFESA CIVIL
As informações publicadas pela assessoria de imprensa da Prefeitura sobre o trabalho desenvolvido pela Defesa Civil, neste momento de chuvas intensas, são insuficientes para acabar com a insegurança da população e evitar problemas que podem fazer vítimas fatais. É preciso que o órgão divulgue quantas e quais são as áreas de risco no município e o que foi ou será feito para evitar acidentes futuros. Só tecer loas no socorro prestado é muito pouco. Melhor evitar do que socorrer.
IPTU/KIT
O governo municipal continua mudo e calado sobre algumas questões importantes: carnês do IPTU e kit de material escolar. Ninguém sabe dizer se eles já foram encomendados, através das competentes licitações, e quando chegarão respectivamente aos contribuintes e aos estudantes.
MINADOS
Os buracos profundos espalhados por ruas e estradas em todo o município passam a impressão de que o cidadão caminha sobre campos minados. O cenário é comum nos quatro cantos da cidade, porém com maior intensidade na periferia. E são buracos que já comemoraram ‘bodas de estanho ou zinco’, ou seja, 10 anos.
FISCALIZAÇÃO
Se verdadeira a informação da Prefeitura sobre parte do terreno do novo hospital que cedeu e comprometeu a coluna de sustentação por causa das chuvas, é preciso que os responsáveis pela fiscalização de obras contratadas tenham vergonha na cara e cumpram com suas obrigações. A rodoviária caiu antes mesmo de ser inaugurada; o Centro Educacional está interditado com perigo de desabar e, agora, o Hospital. Alguém no governo municipal precisa ser responsabilizado por essas ocorrências.