De acordo com números da Vigilância em Saúde Ambiental, da Secretaria Municipal da Saúde, Mairiporã registrou, no ano passado, 2 acidentes por mês envolvendo humanos com escorpiões. Nos últimos três anos foram 38 registros (448), média de 12,6 casos por ano.
O aumento de ataques de 2020/2021 para 2022 foi de 27,3%. Em todo o período, no entanto, não houve vítimas levadas à óbito.
Autoridades de Saúde avaliam que o aumento nas ocorrências de acidentes de escorpiões tem ligação com alterações ambientais que tornaram os espaços urbanos propícios a abrigos de animais peçonhentos, aliada às ações do ser humano. O acúmulo de entulhos, a não vedação de saídas de esgoto e saneamento, além do uso de inseticidas, que além de não serem efetivos acabam desalojando os escorpiões e os tornam mais resistentes ao veneno, são alguns dos fatores.
A maioria dos casos de picadas de escorpiões é da zona urbana, que equivale a dizer que o animal já se adaptou a este habitat, por encontrar comida farta como baratas e restos de alimentos. O destino correto do lixo, a vedação de rodapés das portas para evitar a entrada e permanência destes animais, são outras medidas recomendadas.
Quem já foi picado por escorpião revela que a dor é insuportável e causa uma experiência traumática na pessoa. A procura por ajuda médica rapidamente é medida que se impõe.
Bairros – Três bairros concentraram o maior número de acidentes no ano passado: Jardim Gibeon, Jardim Carpi e Jardim Pereira (Terra Preta). De modo geral, Mairiporã é uma região suscetível, devido ao solo e abrigar uma floresta urbana.
Socorro – Em caso de picada, a vítima deve lavar o local com água e sabão, e procurar rapidamente o Posto de Saúde mais próximo, como UBS e UPAs. Manter a pessoa hidratada e, se possível, levar o animal para identificação. A avaliação médica é que vai definir o tratamento adequado para cada paciente.
Para evitar acidentes, as recomendações são: Evitar acúmulo de lixo ou entulho, de pedras, tijolos, telhas, madeiras, folhas secas, bem como mato alto ao redor das casas (pois atraem baratas, insetos e roedores que são alimento dos animais peçonhentos); evitar folhagens densas junto a paredes e muros das casas; fechar buracos e frestas nas portas, janelas, paredes, muros e tetos; usar telas ou manter fechados os ralos de pias, tanques e banheiros; proteger as soleiras das portas com borrachas ou sacos de areia; manter limpas e vedadas as caixas de gordura, esgoto, rede elétrica e telefônica; conservar camas, berços e móveis afastados, no mínimo 10 cm da parede; Vistoriar e agitar sapatos, roupas, lençóis, tapetes e panos úmidos antes de usá-los; limpar os terrenos baldios vizinhos, pelo menos, numa faixa de um a dois metros junto das casas.
Intoxicação – Presentes na natureza há mais de 400 milhões de anos, os escorpiões são os animais peçonhentos responsáveis pelo maior número de casos de intoxicação humana no Brasil, segundo o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox/Fiocruz).
De acordo com especialistas, o escorpião é uma praga urbana e o número de óbitos por picadas, nas áreas rurais e urbanas no país, superou o de mortes por picadas de serpente. O escorpião-amarelo, típico das regiões Centro-Oeste e Sudeste do País, é responsável por provocar acidentes graves, sobretudo, em crianças e idosos.
Os especialistas dizem que o escorpião não costuma atacar sua presa e usam o veneno basicamente como instrumento de defesa. (Wagner Azevedo/CJ – Foto: Divulgação/Ministério da Saúde)