Chuva supera previsão e despeja quase o dobro da média mensal em Mairiporã
A chuva que atingiu Mairiporã durante o último fim de semana foi significativamente mais intensa do que indicavam as previsões meteorológicas. Os institutos apontavam um acumulado de aproximadamente 111 milímetros entre sexta-feira (11), sábado (12) e domingo (13), mas o volume efetivamente registrado chegou a 165 milímetros, cerca de 49% acima do previsto.
O acumulado chama ainda mais a atenção quando comparado à climatologia do município. Segundo dados da Climatempo, a média histórica de chuva para todo o mês de setembro em Mairiporã é de aproximadamente 86 milímetros. Isso significa que, em apenas três dias, a cidade recebeu um volume equivalente a quase 1,9 vez toda a chuva normalmente esperada para o mês inteiro.
O episódio também ultrapassou com folga o parâmetro utilizado pela própria Defesa Civil de Mairiporã para acompanhamento de situações de maior atenção. O Plano Preventivo do município estabelece 80 milímetros acumulados em 72 horas, associados à previsão meteorológica, como referência para mudança de nível e realização de vistorias em áreas de risco.
A diferença entre a previsão e o que efetivamente caiu sobre a cidade também mostra como os eventos extremos podem dificultar o trabalho de prevenção. A instabilidade foi provocada pela passagem de uma frente fria associada a um ciclone extratropical.
Impactos – Em Mairiporã, o volume elevado de chuva exige atenção especial por causa das características do município, que possui áreas de relevo acidentado e setores previamente identificados como suscetíveis a deslizamentos e escorregamentos. O plano municipal de Defesa Civil relaciona 26 setores de risco no território, incluindo regiões do Centro, Serra da Cantareira, Parque Náutico, Capoavinha e Terra Preta.
Até o fechamento desta reportagem, não havia sido localizada divulgação oficial de ocorrência de grande proporção no município diretamente atribuída às chuvas do fim de semana, como deslizamentos com vítimas ou grandes interdições. Isso, entretanto, não significa que o volume tenha sido inofensivo. Com o solo já bastante encharcado, a continuidade das precipitações aumenta o risco de movimentação de encostas, queda de árvores, alagamentos e problemas em vias públicas.
A Defesa Civil municipal mantém entre suas atribuições justamente o monitoramento das áreas de risco, a realização de vistorias, avaliações estruturais e intervenções preventivas em locais com possibilidade de deslizamento.
Dois setembros em 3 dias – O número de 165 milímetros em apenas um fim de semana oferece uma dimensão clara da força do episódio. Para atingir esse mesmo volume dentro da média histórica, Mairiporã precisaria praticamente de dois meses de setembro.
Para uma cidade como Mairiporã, marcada por encostas, áreas de mata, cursos d’água e ocupações em regiões de declive, a preocupação não termina necessariamente quando a chuva diminui. Depois de um acumulado tão elevado, o solo permanece saturado e pode continuar oferecendo risco mesmo horas ou dias após o término dos temporais.
A chuva do fim de semana deixou, portanto, um número que merece atenção: 165 milímetros em três dias, quase o dobro de toda a média histórica de setembro. Mais do que uma estatística meteorológica, o volume é um alerta para a necessidade permanente de monitoramento das áreas vulneráveis e de manutenção da infraestrutura de drenagem do município. (Cláudio Cipriani/CJ – Foto: Correio Imagem/Arquivo