DRIELLI PAOLA
Querida pessoa que ainda se emociona com uma boa história,
Há filmes que terminam quando sobem os créditos. Outros continuam caminhando conosco por dias, às vezes por anos. Tudo indica que A Odisseia, novo filme de Christopher Nolan, pertence ao segundo grupo. Se você já assistiu a obras como Interestelar, A Origem ou Oppenheimer, sabe que Nolan não costuma entregar apenas um espetáculo visual. Seus filmes são convites para pensar. Ele gosta de brincar com o tempo, com a memória, com as escolhas e com aquilo que nos transforma sem que percebamos.
Agora, ele volta seu olhar para um dos maiores clássicos da humanidade, A Odisseia, escrita por Homero por volta do século VIII a.C. Dividida em 24 cantos e composta em versos, a obra integra, ao lado da Ilíada, os dois grandes poemas épicos da Grécia Antiga. Nela, acompanhamos o retorno de Odisseu ao reino de Ítaca após a Guerra de Troia, em uma viagem que dura dez anos e o coloca diante de personagens como o ciclope Polifemo, a feiticeira Circe, as Sereias e a ninfa Calipso.
Mais do que uma narrativa de aventuras, a obra tornou-se um dos pilares da literatura ocidental por explorar temas universais como a astúcia, a fidelidade, o destino, a coragem e a busca pelo lar.
O filme também impressiona pelo elenco. Matt Damon dá vida a Odisseu, enquanto Anne Hathaway interpreta Penélope e Tom Holland assume o papel de Telêmaco. Nomes como Zendaya, Charlize Theron, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o e Jon Bernthal completam um time de atores que, por si só, já desperta a curiosidade de qualquer amante do cinema.
Seria fácil esperar apenas batalhas, monstros mitológicos e cenas grandiosas. E elas certamente estarão lá. Mas acredito que o verdadeiro coração da história seja outro. A viagem. Porque todos nós, em algum momento, atravessamos mares desconhecidos. Enfrentamos tempestades que ninguém vê, ouvimos sereias que nos convidam a desistir dos nossos sonhos e, vez ou outra, nos perdemos de nós mesmos antes de encontrar o caminho de volta.
Talvez seja justamente por isso que a Odisseia continua viva depois de quase três mil anos. Ela nunca foi apenas sobre um herói da Grécia Antiga. Sempre foi sobre qualquer pessoa que precisou continuar caminhando mesmo sem saber quanto tempo levaria para chegar. Se você pretende assistir ao filme, vá sem pressa. Não espere apenas respostas. Os filmes de Christopher Nolan costumam fazer perguntas melhores do que oferecem explicações. Observe os detalhes, escute os silêncios e permita-se embarcar na viagem sem a necessidade de entender tudo imediatamente.
Algumas histórias não querem apenas ser compreendidas. Querem ser sentidas. E, se ao sair do cinema você se pegar pensando na própria caminhada, nas pessoas que encontrou pelo caminho e na versão de si que ficou para trás, talvez tenha entendido o verdadeiro sentido dessa aventura. No fim das contas, toda grande odisseia nos leva ao mesmo lugar: de volta para casa. Mas nunca de volta à mesma pessoa que partiu.
Drielli Paola – @drielli_paola. Servidora Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo. Bacharel em Direito, com pós-graduação e extensões universitárias na área jurídica. Entusiasta de psicologia, história, espiritualidade e causa animal. Apaixonada pela escrita.