Capítulo II – Controvérsia e Opinião

Capítulo II – Controvérsia e Opinião

V – EXPECTATIVAS (final)
2- Somente sendo livre é que se obtém a plena cidadania e, no seu exercício, se pode verdadeiramente realizar em favor dos outros, porque fazendo pelos outros se estará fazendo para si. São muitas as perspectivas de cada agrupamento humano, esteja ele reunido formal ou espontaneamente. Cada perspectiva gera um número variável de expectativas que, se satisfeitas, levarão à concretização do pretendido. Da nutrição de um desejo social (perspectiva) decorre o cultivo de crenças sociais (expectativas). Da esperança de se ter algo, surge a fé em alcançá-lo. Para se concretizar um anseio (ou uma necessidade) há que se contar com a participação comunitária de todos que devam (uns por obrigação, outros por colaboração) contribuir para sua efetivação.
3- Tomemos um exemplo simples, apenas para compreensão do que até aqui foi exposto: Perspectiva: a população de um bairro popular deseja aprimorar seus conhecimentos e melhor concorrer às oportunidades existentes na cidade. Expectativas: para tornar possível este sonho, os habitantes da localidade esperam que: 1. A escola pública mais próxima ofereça cursos noturnos (de magistério, profissionalizante, etc.) e abra suas dependências nos finais de semana (para cursos de pequena duração: cursos de extensão, de habilitação, especialização, etc.); 2. A Prefeitura melhore as condições viárias que dão acesso à Escola; 3. A Companhia de Energia Elétrica ilumine alguns quarteirões; 4. A Companhia de Transportes remaneje linhas e horários dos ônibus; 5. A Polícia rearticule suas rondas; 6. Os vizinhos limpem e murem os terrenos baldios para maior segurança dos transeuntes; 7. As associações (industrial, comercial, rural) e os sindicatos patrocinem cursos de pequena duração; 8. Os empresários apoiem as iniciativas, ofereçam materiais e equipamentos e facilitem a frequência de seus funcionários; e, 9. Etc., etc., etc. (Muitas vezes as expectativas de um grupo coincidem com as de um outro, com perspectiva diferente. Por exemplo: seria muito bom para o empresário estimular o aperfeiçoamento da mão-de-obra para melhorar a qualidade do serviço ou a produtividade da indústria). Verifica-se que a partir das perspectivas sociais fica mais fácil conhecer e deduzir quais as expectativas do público com relação a cada elemento da comunidade. Com isto poder-se-á apurar que, não raro, os cidadãos imaginam que determinadas providências são da alçada de um órgão ou autoridade, quando, de fato, são de responsabilidade de outrem (a iluminação pública, por exemplo, é de competência do governo municipal. A Companhia Energética é apenas a empresa fornecedora do serviço). Pesquisar quais são as perspectivas e expectativas possibilita ao órgão interessado determinar o grau de informação do público, facilitando a definição do futuro processo de comunicação institucional.