Cantareira opera com níveis críticos e chega a 40% da capacidade útil

O Sistema Cantareira, principal manancial responsável pelo abastecimento de água de cerca de 7,5 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo, encerra o mês de junho operando com aproximadamente 40% de sua capacidade útil. O índice mantém o sistema na chamada Faixa de Atenção, que exige monitoramento permanente dos órgãos gestores e uso consciente da água por parte da população.

O cenário é significativamente mais desfavorável que o registrado no mesmo período do ano passado. No final de junho de 2025, os reservatórios do Cantareira armazenavam cerca de 47% do volume útil, ou seja, sete pontos percentuais acima do nível atual. Na ocasião, embora também estivesse na Faixa de Atenção, o sistema apresentava uma condição hidrológica mais confortável do que a observada neste ano.

A redução dos níveis é consequência, principalmente, das chuvas abaixo da média nas áreas de captação e da vazão afluente inferior ao esperado ao longo dos últimos meses. Segundo os órgãos responsáveis pelo monitoramento, o sistema permanece sob condições de seca hidrológica moderada, o que reforça a necessidade de uma gestão criteriosa dos recursos hídricos.

Embora o abastecimento da Grande São Paulo não esteja comprometido neste momento, especialistas alertam que os próximos meses correspondem ao período mais seco do ano, quando as chuvas costumam ser escassas. Caso não haja recuperação significativa dos reservatórios na próxima estação chuvosa, a tendência é de manutenção da pressão sobre o principal sistema produtor de água do Estado.

Diante desse quadro, a recomendação continua sendo o consumo racional de água. Medidas simples, como reduzir o tempo de banho, eliminar vazamentos, reutilizar água sempre que possível e evitar desperdícios, ajudam a preservar os reservatórios até a chegada das chuvas mais intensas da primavera e do verão.

Atualmente, conforme as regras operacionais definidas pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pela SP Águas, o Sistema Cantareira permanece na Faixa 2 – Atenção, condição em que a retirada de água é limitada para preservar os volumes armazenados e garantir maior segurança hídrica à população.

Para Mairiporã, o assunto ganha importância ainda maior. O município integra o complexo do Sistema Cantareira e convive diretamente com parte da infraestrutura responsável pelo abastecimento de milhões de paulistas. Apesar disso, a cidade também depende da preservação dos mananciais e do uso racional da água, especialmente durante os meses de estiagem, quando os reservatórios sofrem redução natural de seus níveis. (Cláudio Cipriani/CJ – Foto: Wikipedia)