Autocompaixão

“A coragem começa quando nos permitimos ser imperfeitos.” (Brené Brown)

Dando continuidade a esse tema tão rico que venho aprendendo na disciplina de Psicologia Positiva na faculdade, com a excelente professora Ma. Marcelle Trindade, surge uma reflexão cada vez mais necessária nos dias atuais: como temos tratado a nós mesmos diante das dificuldades, erros e cobranças da vida?

Vivemos em um mundo que exige desempenho, resultados e perfeição o tempo todo. Aos poucos, muitas pessoas aprenderam a ser duras consigo mesmas. Errar passou a ser visto como fracasso, e não como parte do aprendizado. Mas existe um caminho mais saudável e profundamente humano chamado autocompaixão.

A autocompaixão começa em algo simples, mas poderoso: a forma como falamos conosco. Vale uma pergunta direta: você fala consigo mesmo como falaria com um amigo em uma situação de erro?

Pense em um amigo que errou no trabalho. Você provavelmente não diria: “você é um fracasso, não serve para nada”. Em vez disso, diria algo como: “foi difícil, mas você pode aprender com isso, vai dar certo”. No entanto, quando o erro é nosso, muitas vezes o discurso interno é duro, impiedoso e desproporcional.

A autocompaixão não é passar a mão na cabeça ou evitar responsabilidades. É reconhecer o erro sem transformar isso em condenação pessoal. É entender que falhar faz parte da experiência humana.

No dia a dia, isso aparece em situações simples: na mãe que se culpa por não dar conta de tudo, no profissional que se cobra além do limite, no jovem que se compara o tempo inteiro e sente que nunca é suficiente. Em todos esses casos, existe um ponto em comum: a falta de gentileza consigo mesmo.

A filósofa Simone Weil dizia que “a atenção é a forma mais rara e pura de generosidade”. Talvez possamos ampliar essa ideia: prestar atenção em si mesmo com cuidado e respeito também é um ato de generosidade.

Praticar a autocompaixão é ajustar esse olhar interno. É substituir a crítica destrutiva por uma postura mais equilibrada. É dizer para si mesmo: “eu errei, mas isso não define quem eu sou”. E, curiosamente, pessoas que desenvolvem autocompaixão não se tornam acomodadas tornam-se mais fortes emocionalmente. Porque deixam de gastar energia se punindo e passam a investir em crescimento.

Reflexão – Se você não trataria alguém que ama com dureza, por que faria isso consigo mesmo? Talvez o primeiro passo para uma vida mais equilibrada não seja ser perfeito, mas aprender a ser mais humano, inclusive consigo, vamos tentar ?

 

 

Raphael Blanes: Servidor Público Municipal, formado em Filosofia, Gestão em Saúde Pública, Técnico em Vigilância em Saúde com ênfase no Combate às Endemias, Gestão Hospitalar, Saúde Única (One Health), RH e Desenvolvimento de Equipes e graduando em Psicologia. Instagram: @raphaelblanes – Email: blanes.med@gmail.com.