Assistencialismo sem porta de saída

O programa criado pelo Governo Federal, o Bolsa Família, tem suscitado debates ao longo dos anos. Há correntes que acreditam ser uma forma de levar renda a quem precisa, enquanto outras consideram que foi criada a indústria da vagabundagem.

Grande parcela dos beneficiários se satisfaz com esse ‘salário’ mensal, que se soma a outros penduricalhos, dentre eles o vale gás.

Essa ação, verdadeira cortesia com o chapéu alheio, não só alcança os mais vulneráveis, mas principalmente os espertalhões, que se valem de inúmeros expedientes para botar a mão no dinheiro. E isso tem obrigado o governo central a destinar mais e mais recursos para fazer frente aos que passaram a viver dessa benesse.

Na semana passada, em conversa com empresários, o ex-governador de Minas Gerais e presidenciável, Romeu Zema, não foi nada econômico ao criticar o Bolsa Família. Segundo disse, uma vez presidente irá exigir de homens beneficiários do programa a conclusão de seus estudos e a realização de curso técnico. Para ele, e consenso geral entre aqueles que trabalham para levar o sustento para casa, o País está criando uma geração de imprestáveis.

Há um outro agravante, sentido na maioria das cidades: os ‘bolsistas’ passaram a se travestir de ambulantes, pedintes e moradores de rua, uma estratégia usada para complementar a renda, sem precisar trabalhar.

O verdadeiro desafio de qualquer programa social não é apenas combater a pobreza, mas criar condições para que ela seja superada. Assistência permanente, sem mecanismos eficazes de emancipação, transforma-se em dependência, desestimula o esforço individual e impõe à sociedade uma conta cada vez mais elevada.

O Estado deve estender a mão a quem realmente precisa, mas também exigir contrapartidas que promovam qualificação, inserção no mercado de trabalho e autonomia. Do contrário, continuará alimentando um ciclo em que milhões permanecem reféns do benefício, enquanto o País vê diminuir sua capacidade de produzir riqueza, gerar oportunidades e construir um futuro mais próspero.

Posts similares

  • O rei está nu

    Um conto do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen (1805 – 1875) relata a história de um rei muito severo e vaidoso; não admitia ser contrariado. Certo dia apareceu um homem se dizendo alfaiate, na verdade um charlatão, e se ofereceu para fazer a roupa mais bonita que qualquer monarca, em todo o mundo, jamais havia…

  • No país de Alice

    O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, claramente atento ao calendário eleitoral de 2026 e às possibilidades de reeleição, colocou em prática, nos últimos dias, um amplo pacote de medidas econômicas e sociais que, à primeira vista, podem parecer benéficas à população. No entanto, uma análise mais cuidadosa revela que muitas dessas iniciativas…

  • Alckmin é favorito

    A disputa pelo Palácio dos Bandeirantes no ano que vem pode ter muitos postulantes, mas poucos em condições de vitória. Reside no PSDB, que há 27 anos ocupa o governo do Estado, as dúvidas quanto ao nome que vai concorrer: se João Dória, atual mandatário), que também pretende disputar a presidência da República, ou seu…

  • 177 dias

    Quase meio ano! Isso mesmo, cento e setenta e sete dias de trabalho são necessários para que os brasileiros paguem a carga tributária. São cinco meses e dois dias de labuta, só para arcar com o pagamento de taxas e impostos. O cálculo, que é assustador, foi feito pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e…

  • Votar ou abster-se?

    A cada nova eleição realizada no Brasil surgem palavras de ordem e ditados antigos, ditos como se fossem verdade absoluta. Um dos mais repetidos é, sem dúvida, aquele que exalta “a importância do voto”. Muito se fala que o voto é o exercício democrático do processo eleitoral, que é uma das principais expressões de cidadania,…