Ansiedade

“Todos nascem originais, mas muitos morrem como cópias.” (Carlo Acutis)

 Pensando no tema desta semana para o artigo do jornal, segui a sugestão do Gabriel: falar sobre ansiedade. Afinal, poucos assuntos refletem tão bem o nosso tempo. A ansiedade é uma reação natural do organismo diante de desafios e incertezas. Ela nos ajuda a ficar atentos e preparados. O problema surge quando passa a dominar nossos pensamentos, transformando preocupações normais em sofrimento constante.

O filósofo Byung-Chul Han afirma que vivemos na “sociedade do desempenho”, onde precisamos ser produtivos, bem-sucedidos e felizes o tempo todo. Já o sociólogo Zygmunt Bauman descreve uma sociedade marcada por relações frágeis, mudanças rápidas e inseguranças constantes, as famosas “relações liquidas”. Não é difícil perceber como esse cenário favorece o crescimento da ansiedade.

A própria ciência ajuda a explicar esse fenômeno. A dopamina, neurotransmissor ligado à recompensa e à motivação, pode sofrer desequilíbrios quando somos expostos constantemente a estímulos rápidos, como redes sociais, excesso de telas, consumo exagerado de informações e até mesmo situações contínuas de estresse. O cérebro passa a buscar recompensas imediatas, gerando uma sensação de inquietação permanente, pensamentos acelerados, dificuldade para relaxar e, muitas vezes, insônia.

Os jovens enfrentam a pressão das comparações virtuais e da necessidade de aprovação constante. Os adultos convivem com responsabilidades familiares, profissionais e financeiras que parecem não ter fim. Em comum, muitos carregam a sensação de que nunca estão fazendo o suficiente.

Séculos antes da internet, Santo Agostinho já observava que o coração humano permanece inquieto enquanto busca respostas em lugares incapazes de oferecer verdadeira paz. Mais recentemente, Carlo Acutis lembrava que “todos nascem originais, mas muitos morrem como cópias”, alertando para o perigo de viver tentando atender expectativas alheias.

Talvez seja hora de cada um olhar para dentro de si e refletir: quanto da minha ansiedade está afetando minha qualidade de vida, meus relacionamentos e minha família? Quantas vezes tenho olhado para mim mesmo, para meus filhos, pais, cônjuges ou amigos com os olhos da cobrança, quando o que realmente precisamos é de empatia, acolhimento e compreensão? Nem toda preocupação pode ser evitada, mas podemos aprender a lidar melhor com ela.

Buscar ajuda quando necessário, desacelerar, fortalecer vínculos e aceitar que nem tudo está sob nosso controle são passos importantes para uma vida mais equilibrada.

Reflexão – Como escreveu Santo Agostinho, Patientia comes sapientiae est “a paciência é companheira da sabedoria”. Talvez a ansiedade seja justamente a tentativa de acelerar aquilo que a vida ainda está preparando. Há processos que o tempo, e somente o tempo, é capaz de concluir. Confie!!!

 

Raphael Blanes: Servidor Público Municipal, formado em Filosofia, Gestão em Saúde Pública, Técnico em Vigilância em Saúde com ênfase no Combate às Endemias, Gestão Hospitalar, Saúde Única (One Health), RH e Desenvolvimento de Equipes e graduado em Psicologia. Instagram: @raphaelblanes – Email: blanes.med@gmail.com.

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