Quedas continuam acentuadas na imunização contra a poliomielite

A vacinação contra a poliomielite, doença que pode provocar paralisia irreversível e até a morte, continua apresentando índices inferiores aos recomendados pelas autoridades sanitárias. A meta do Ministério da Saúde é imunizar pelo menos 95% do público-alvo, percentual considerado necessário para manter a população protegida e reduzir o risco de reintrodução do vírus. Em 2023, a cobertura nacional chegou a aproximadamente 85,6%, um dos melhores resultados dos últimos anos, mas ainda insuficiente para atingir o objetivo estabelecido. Desde 2016, o País não consegue alcançar a meta para esse imunizante.

A queda na procura pelas vacinas não pode ser atribuída a um único fator. Entre as possíveis causas estão a falsa percepção de que doenças praticamente eliminadas não representam mais uma ameaça, a desinformação disseminada pelas redes sociais, a desconfiança em relação aos imunizantes e o receio de eventuais reações adversas.

Também pesam questões práticas, como a dificuldade dos pais em conciliar os horários de trabalho com o funcionamento das unidades de saúde, o esquecimento das datas previstas no calendário vacinal, a dificuldade de acesso aos postos em determinadas localidades e a perda de oportunidades para atualizar a caderneta das crianças durante consultas de rotina.

Outro aspecto importante é a redução da percepção de risco. Como muitas doenças preveníveis por vacinas deixaram de fazer parte da experiência cotidiana da população, parte dos responsáveis pode considerar desnecessário vacinar os filhos. O problema é que a ausência de casos não significa que o perigo tenha desaparecido.

A manutenção de uma cobertura elevada é justamente o que dificulta a circulação dos agentes infecciosos e protege também aqueles que, por razões médicas, não podem receber determinados imunizantes.

Da gotinha à injetável – A vacinação contra a poliomielite também passou por uma mudança importante. Desde 4 de novembro de 2024, o Brasil adotou um esquema exclusivo com a vacina inativada poliomielite (VIP), aplicada por injeção. O calendário prevê três doses aos 2, 4 e 6 meses de idade, seguidas de um reforço aos 15 meses.

A alteração encerrou o uso rotineiro das doses de reforço da vacina oral, a conhecida gotinha, que durante décadas marcou as campanhas de combate à doença no País. A mudança segue orientações internacionais e busca ampliar a segurança do esquema vacinal.

A vacina injetável já era utilizada nas três primeiras doses; a novidade foi substituir as doses de reforço orais por uma dose adicional injetável. Portanto, a alteração não significa redução da importância da imunização, mas uma atualização da estratégia de proteção infantil. (Juarez César/CJ – Foto: Marcelo Camargo/ABR)

 

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