82% das vítimas fatais no trânsito de Mairiporã são de motociclistas

Os índices de violência no trânsito em Mairiporã apresentaram uma redução positiva nos primeiros nove meses de 2026. Dados do sistema Infosiga SP, do Governo do Estado, revelam que o número de acidentes com vítimas e o total de mortes caíram no município no comparativo entre janeiro e setembro de 2025 e o mesmo período deste ano. No entanto, por trás da melhora estatística, as motocicletas continuam sendo o principal vetor de letalidade nas ruas e rodovias da região.

De acordo com o levantamento, o total de sinistros com vítimas (acidentes que resultam em feridos) recuou 5,6%, passando de 532 ocorrências em 2025 para 502 em 2026. A queda mais expressiva foi registrada no número de óbitos: o município contabilizou 28 mortes provocadas pelo trânsito até setembro deste ano, contra 34 no ano anterior — uma redução de 17,6%.

Vulnerabilidade – Apesar do recuo geral nas mortes, o perfil das vítimas fatais expõe uma disparidade alarmante. Das 28 vidas perdidas nas vias de Mairiporã em 2026, 23 eram motociclistas. O número significa que as duas rodas concentram 82% de toda a letalidade do trânsito local. O restante dos óbitos no período foi composto por três pedestres e dois motoristas de caminhão.

A topografia de Mairiporã, marcada por relevo sinuoso, somada ao intenso fluxo de motocicletas tanto nas vias urbanas quanto nas rodovias que cortam a cidade – como a Rodovia Fernão Dias (BR-381) -, potencializa o risco para os pilotos. Especialistas apontam que a falta de proteção estrutural da moto, combinada a fatores como excesso de velocidade e ultrapassagens arriscadas no corredor, torna qualquer colisão ou queda potencialmente fatal.

Perfil – No panorama geral de 2026, os 502 acidentes que deixaram feridos na cidade envolveram predominantemente colisões entre carros e motos. Campanhas locais de conscientização têm focado na necessidade de compartilhamento seguro das vias e no respeito aos pontos cegos dos veículos maiores, além do uso correto de equipamentos de segurança pelos motociclistas.

Embora a curva descendente dos dados gerais do Infosiga aponte que as ações de fiscalização e engenharia de tráfego começam a surtir efeito, o patamar de mortes sobre duas rodas sinaliza que o município ainda enfrenta o desafio crônico de proteger os usuários mais vulneráveis da malha viária. (Salvador José/CJ – Foto: Tânia Rêgo/ABR)

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