Analistas projetam queda da abstenção no segundo turno de domingo
A expectativa para o segundo turno das eleições em Mairiporã, neste domingo (25), é de redução da abstenção, que chegou a 22,11% no primeiro turno, realizado no dia 4. Embora nada garanta que essa projeção se confirme, analistas apostam em maior comparecimento às urnas, sobretudo em razão da polarização entre Bolsonaro e Lula e das campanhas de mobilização dos eleitores. A votação, restrita à escolha dos candidatos que disputam o segundo turno, também pode contribuir para estimular a participação.
Embora a abstenção seja contabilizada a partir da ausência do eleitor, outros fatores ajudam a explicar os índices registrados. Entre eles estão os eleitores para os quais o voto é facultativo – maiores de 70 anos, jovens de 16 e 17 anos e pessoas analfabetas -, além de eleitores falecidos que ainda constam no cadastro eleitoral e daqueles que mudaram o domicílio eleitoral sem regularizar a situação. Esses fatores podem influenciar o resultado final, embora não seja possível determinar quanto cada um representa no total de ausências.
Também contribuem para o quadro a facilidade de justificar a ausência, o baixo valor da multa aplicada a quem deixa de votar sem justificativa e, principalmente, a insatisfação ou o desinteresse de parte do eleitorado pela política.
O histórico de Mairiporã, no entanto, não sustenta uma expectativa de queda automática da abstenção no segundo turno. Nos últimos três pleitos presidenciais com votação em duas etapas, o comparecimento aumentou de um turno para outro apenas em 2022, quando o índice de ausências caiu de 21,61% para 21,21%. Em 2018, ocorreu o contrário: a abstenção passou de 22,26% no primeiro turno para 22,87% no segundo. O mesmo movimento foi registrado em 2014, quando subiu de 20,61% para 21,58%.
Sem garantia – A polarização entre os candidatos pode funcionar como estímulo ao comparecimento, mas não é garantia de que os eleitores que faltaram no primeiro turno retornarão às urnas.
O histórico municipal mostra que a abstenção pode aumentar mesmo na etapa decisiva da disputa. Mais do que a intensidade das campanhas, o resultado dependerá da disposição do eleitor em participar e do grau de identificação com os candidatos.
Se a projeção de queda se confirmar, será um sinal de maior mobilização; caso contrário, a manutenção de um contingente expressivo de ausentes reforçará o alerta sobre o distanciamento de parte do eleitorado em relação ao processo político. (Salvador José/CJ – Foto: Fernando Frazão/ABR)