População de Mairiporã cresce, mas em ritmo cada vez mais lento
Mairiporã já respondeu, nas décadas de 1990 e 2000, por uma das maiores taxas de crescimento populacional da região. Em determinados períodos, chegou a registrar expansão anual próxima de 4,5%.
Hoje, acompanhando uma tendência observada em milhares de municípios brasileiros, esse ritmo é bem mais lento. Segundo estimativa divulgada na sexta-feira (28/8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de Mairiporã cresceu apenas 0,5% entre julho de 2025 e julho de 2026, com a incorporação de 406 novos moradores.
A cidade chegou a 98.241 habitantes e, mais uma vez, a expectativa de alcançar a marca de 100 mil foi adiada.
Embora os 100 mil habitantes sejam uma marca simbólica importante para o município e possam servir de referência para diferentes indicadores e políticas públicas, é preciso observar que a chegada a esse número não representa, automaticamente, um salto no coeficiente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Na tabela utilizada para o cálculo do FPM em 2026, por exemplo, municípios com população entre 91.693 e 101.880 habitantes permanecem na mesma faixa de coeficiente.
Mais importante do que a proximidade ou não dos 100 mil habitantes é o que está acontecendo dentro dessa população.
O crescimento mais lento está associado a uma transformação demográfica que merece atenção. A população brasileira está envelhecendo, enquanto as taxas de natalidade e fecundidade vêm diminuindo. Para Mairiporã, isso significa que o aumento do número de moradores já não ocorre na mesma velocidade de décadas passadas e que a composição da população tende a mudar progressivamente.
O envelhecimento traz consequências para praticamente todas as áreas da administração pública. Cresce a demanda por serviços de Saúde, assistência social, medicamentos, atendimento especializado e políticas voltadas à terceira idade. Ao mesmo tempo, a participação relativa da população economicamente ativa tende a diminuir, reduzindo o contingente de pessoas em idade de trabalhar em relação ao número de crianças e idosos que dependem, direta ou indiretamente, da estrutura econômica e social.
É uma equação que exige planejamento: menos jovens entrando no mercado de trabalho, maior número de idosos e uma população que cresce pouco significam desafios para a Previdência, para a Saúde, para a geração de empregos e para as próprias contas municipais.
Há ainda outro aspecto. Uma cidade que cresce lentamente não necessariamente deixa de receber novos moradores. Pode continuar atraindo pessoas de outras localidades, mas em quantidade insuficiente para compensar a queda dos nascimentos e o envelhecimento da população. O resultado é um crescimento demográfico cada vez mais dependente dos movimentos migratórios.
Mairiporã, portanto, está diante de uma nova realidade. A época do crescimento populacional acelerado, que marcou boa parte de sua história recente, parece ter ficado para trás. O desafio agora não é apenas aumentar o número de habitantes, mas preparar a cidade para uma população que cresce pouco, envelhece e apresenta uma composição econômica e etária diferente daquela das décadas de 1990 e 2000.
Os 100 mil habitantes chegarão, mais cedo ou mais tarde. A questão mais importante, porém, é saber como estará Mairiporã quando eles chegarem. (Juarez César/CJ – Foto: Divulgação)