Primavera chega com promessa de calor, chuva irregular e mais extremos

A primavera está chegando. No próximo dia 22 de setembro, às 21h05, pelo horário de Brasília, o Hemisfério Sul deixa oficialmente o inverno para entrar na estação que, no imaginário popular, representa flores, temperaturas mais agradáveis e o retorno das chuvas. Em Mairiporã e na região, porém, a primavera dos últimos anos tem mostrado que já não é tão previsível quanto a imagem tradicional da estação sugere.

A primavera de 2026 deverá ser marcada por temperaturas mais elevadas e por uma atmosfera de grande variabilidade. A principal razão está no retorno do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. Segundo o INPE e o INMET, há elevada probabilidade de que o fenômeno persista durante a primavera e avance pelo verão, podendo atingir intensidade forte a muito forte. No Sudeste, uma das consequências mais prováveis é a ocorrência de temperaturas acima da média, com maior frequência de períodos de calor.

Isso não significa, entretanto, que teremos três meses permanentemente quentes e secos. A primavera é justamente uma estação de transição e costuma apresentar grandes oscilações. Podem ocorrer dias de calor intenso, seguidos pela passagem de frentes frias, quedas acentuadas de temperatura e períodos de chuva.

Chuva sem regularidade – Em São Paulo, a característica mais importante da primavera é a retomada gradual das chuvas. Historicamente, os volumes aumentam de setembro para novembro e dezembro, quando se estabelece de maneira mais consistente o período chuvoso.

Os dados do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) indicam que, como referência para a capital paulista, são esperados aproximadamente 367,5 milímetros de chuva durante a primavera. As médias de temperatura ficam, em geral, entre 16°C e 18°C para as mínimas e 26°C e 28°C para as máximas, com elevação gradual ao longo da estação.

Aquecimento gradual – Para Mairiporã, portanto, a expectativa é de uma primavera de aquecimento gradual, temperaturas frequentemente acima do padrão histórico e retorno progressivo das chuvas, mas com possibilidade de períodos de estiagem intercalados com pancadas fortes e temporais.

Uma estação que mudou – Há uma questão interessante quando se compara a primavera de hoje com aquela de duas ou três décadas atrás: a estação continua sendo a mesma do ponto de vista astronômico, mas o clima que a acompanha não é exatamente o mesmo.

Dados históricos da cidade de São Paulo mostram uma elevação consistente das temperaturas. A média de setembro, por exemplo, passou de 17,2°C na normal de 1961-1990 para 18,1°C na normal de 1991-2020. Em outubro, foi de 18,3°C para 19,6°C, enquanto novembro passou de 19,6°C para 20,3°C. Ou seja, os meses que compõem a primavera ficaram, em média, mais quentes.

O que parece estar mudando, portanto, é menos a existência da chuva e mais a maneira como ela se distribui e a combinação entre calor e precipitação. Períodos secos podem ser seguidos por chuvas muito intensas em pouco tempo. Dias de calor excepcional podem aparecer ainda no começo da estação. E as oscilações entre calor, frio e temporais tornam-se cada vez mais importantes para compreender o clima.

A primavera de 2026 chega, assim, trazendo de volta as flores, os dias mais longos e a expectativa pelas primeiras chuvas regulares. Mas chega também como um lembrete de que o clima já não pode ser compreendido apenas pelo calendário. A estação continua começando em setembro e terminando em dezembro; o que mudou, ao longo desses 25 anos, foi a maneira como o tempo se manifesta. E, para Mairiporã, cidade particularmente dependente das chuvas e dos seus mananciais, acompanhar essas mudanças deixou de ser apenas uma curiosidade meteorológica. É também uma questão de planejamento para os meses que virão. (Da Reportagem – Foto: Correio Imagem)

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