Os consórcios de municípios nasceram como resposta aos desafios crescentes enfrentados pelas administrações locais: falta de recursos, aumento das demandas e a necessidade de aprimorar a gestão de serviços essenciais.
A proposta era simples e eficiente – unir forças, dividir responsabilidades, reduzir custos e, com isso, melhorar a qualidade dos serviços oferecidos à população. No papel, tudo funciona perfeitamente.
Os consórcios aparecem como modelos de cooperação, resolvendo problemas comuns e conquistando recursos importantes para as cidades consorciadas. Na prática, porém, a realidade é bem diferente.
Raros são os casos em que esses consórcios conseguem, de fato, agir em conjunto e transformar essa estrutura em benefícios concretos para suas comunidades. A maioria limita-se a reuniões protocolares, trocas de presidência e anúncios genéricos de intenções.
Um exemplo é o Cimbaju (Consórcio Intermunicipal dos Municípios da Bacia do Juqueri), formado por Mairiporã, Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato e Cajamar. Há muito tempo não se tem notícia de uma ação conjunta relevante desses cinco municípios. As mudanças de comando – com a alternância de prefeitos na presidência – são praticamente os únicos momentos em que o consórcio volta a ser lembrado.
Essas cidades enfrentam inúmeros problemas comuns: mobilidade, saneamento, segurança, meio ambiente. Mesmo assim, não há clareza sobre quais temas receberam atenção do consórcio, a quem foram endereçadas eventuais reivindicações e, principalmente, quais resultados foram obtidos.
A crítica não é gratuita. O fato é que os consórcios intermunicipais, apesar de sua importância teórica, ainda representam muito pouco na prática. Cada prefeitura acaba se voltando apenas para suas próprias dificuldades, mesmo quando os desafios são compartilhados com os vizinhos. Divergências políticas e a falta de uma visão coletiva tornam impossível consolidar uma estratégia comum.
Enquanto isso, o espírito de cooperação – que deveria ser a base de qualquer consórcio – segue sendo apenas um conceito bonito, distante da realidade das cidades.