Consórcios intermunicipais: uma ideia boa que parou no papel

Os consórcios de municípios nasceram como resposta aos desafios crescentes enfrentados pelas administrações locais: falta de recursos, aumento das demandas e a necessidade de aprimorar a gestão de serviços essenciais.
A proposta era simples e eficiente – unir forças, dividir responsabilidades, reduzir custos e, com isso, melhorar a qualidade dos serviços oferecidos à população. No papel, tudo funciona perfeitamente.
Os consórcios aparecem como modelos de cooperação, resolvendo problemas comuns e conquistando recursos importantes para as cidades consorciadas. Na prática, porém, a realidade é bem diferente.
Raros são os casos em que esses consórcios conseguem, de fato, agir em conjunto e transformar essa estrutura em benefícios concretos para suas comunidades. A maioria limita-se a reuniões protocolares, trocas de presidência e anúncios genéricos de intenções.
Um exemplo é o Cimbaju (Consórcio Intermunicipal dos Municípios da Bacia do Juqueri), formado por Mairiporã, Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato e Cajamar. Há muito tempo não se tem notícia de uma ação conjunta relevante desses cinco municípios. As mudanças de comando – com a alternância de prefeitos na presidência – são praticamente os únicos momentos em que o consórcio volta a ser lembrado.
Essas cidades enfrentam inúmeros problemas comuns: mobilidade, saneamento, segurança, meio ambiente. Mesmo assim, não há clareza sobre quais temas receberam atenção do consórcio, a quem foram endereçadas eventuais reivindicações e, principalmente, quais resultados foram obtidos.
A crítica não é gratuita. O fato é que os consórcios intermunicipais, apesar de sua importância teórica, ainda representam muito pouco na prática. Cada prefeitura acaba se voltando apenas para suas próprias dificuldades, mesmo quando os desafios são compartilhados com os vizinhos. Divergências políticas e a falta de uma visão coletiva tornam impossível consolidar uma estratégia comum.
Enquanto isso, o espírito de cooperação – que deveria ser a base de qualquer consórcio – segue sendo apenas um conceito bonito, distante da realidade das cidades.

 

Posts similares

  • O jogo político começa

    A partir do dia 3 de abril o Brasil entra definitivamente no cenário eleitoral, depois da retomada da rotina institucional após o Carnaval. A pausa festiva tradicionalmente desacelera repartições públicas e parte da atividade econômica, mas há algo que nunca entra em recesso: a política. Com o calendário estabelecido pelo TSE, inicia-se, na prática, o…

  • Mude-se a lei!

    Nenhum político no mundo, seja em que tipo de regime for, se compara a um exemplar brasileiro. Os nossos são únicos, capazes de tudo quando o propósito é chegar ao poder e nele se manter. Claro que isso vem de longe, talvez desde maio de 1826, quando se instalou a primeira legislatura no Brasil (deputados…

  • 20 anos hoje!

    Exatamente no dia de hoje o Correio Juquery comemora 20 anos de circulação impressa ininterrupta em Mairiporã. Dos muitos jornais que a cidade teve ao longo das últimas quatro décadas, apenas o Correio sobreviveu graças a um trabalho árduo de uma equipe dedicada em colocar o jornal na rua semanalmente. Em um tempo regido pela…

  • Negacionistas?

    O termo que dá título a este editorial, segundo o dicionário, significa ‘ato de negar-se a acreditar em uma informação estabelecida em áreas como a ciência e a história”. No decorrer desta semana, ao ser cobrada por estratégias para evitar o desperdício de doses da vacina contra a dengue, com prazo de validade até o…

  • O nosso parlamento

    Depois de um longo e tenebroso inverno, o editor deste jornal assistiu às duas últimas sessões da Câmara local. Um exercício penoso, verdadeira penitência. Entre muito mais do mesmo e momentos de flagrante sonolência, há raras exceções, talvez duas ou três, que justificam estar lá representando o povo, enquanto os demais não têm fôlego e…