Arrependimentos do cotidiano

Acho interessante quem fala que nunca se arrepende. Que faria tudo outra vez. Me arrependo o tempo todo e não se arrepende quem não vive, pois quem vive naturalmente erra e acerta. Claro, os erros são aprendizagens, mas não significa que não desejo não ter cometido muitos deles. O que você faria diferente ou não faria? Tenho a impressão que muita coisa hoje em dia é dita sem pensar, sem que a palavra nasça e vá sendo maturada até ser pronunciada ou escrita. Há uma verborragia pesada, principalmente nas reds sociais e pouca responsabilidade.

A culpa paralisa a vida já que pode se tornar uma neurose que nos impede de ir além e ficar amargurando o erro. Diferente do arrependimento que nos move para fazer algo diferente em relação ao que fizemos de errado. Já a culpa pode paralisar, pode tirar o prazer de sermos nós mesmos. A culpa coloca a gente num lugar estranho dentro de nós mesmos, como se fosse um porão de aprisionamento da existência. Já o arrependimento é uma janela que se abre para que a vida possa ser vista de uma maneira diferente. Quando me senti culpado, fiquei destruído e quando me senti arrependido fiquei com vontade de fazer diferença e modificar as coisas.

Não errar é impossível, então tentemos controlar a mente para o equilíbrio entre culpa e arrependimento. Para isso a mente precisa ser liderada. Líder de si mesmo para não ruminar perdas, magoas ou frustrações. Eu errei e erro tanto, mas o mais importante é que percebo que sabendo o que sei hoje, não cometeria a grande maioria desses erros novamente. Aprender as lições e mudar os caminhos sem sobra de dúvida é o que modifica e desenvolve.

O processo da reconciliação interior é missão de todos os dias. Coragem é o resultado final das nossas possibilidades e dos nossos limites. Quando a gente equaciona os defeitos e qualidades então possuímos as armas para ir em frente. O tempo de hoje é o tempo do preparo. Não se chega a lugar algum sem tropeços e sem sacrifícios. O medo de errar não pode paralisar se formos nós os senhores da mente. Me diziam que viver é arriscado e é mesmo. Tem dia que não dou conta das minhas fragilidades e fico coitadinho. A vida vai sepultando mais que a própria morte, mas não há vida longe do limite e do sofrimento. Problemas todo mundo tem, mas ando me aproximando de quem é dono e honesto com seus limites e me afastando de gente fracassada e que necessita bajular para se sustentar.

Se não chegamos as respostas para os erros, talvez não tenhamos feito as perguntas do jeito certo, de forma que os arrependimentos se somem e as culpas se multipliquem. A forma bonita de olhar para as tragédias é fazer delas um ponto de partida e não o ponto de chegada. Fazer o simples: o melhor por quem está por perto. Se não começou, aproveitemos eu e você, enquanto há tempo!

 

 

Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”

 

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