2 casos de estupro de vulneráveis por mês em Mairiporã

NÃO são poucas as famílias em Mairiporã que enfrentam problemas com estupros contra pessoas vulneráveis.

O estupro de vulneráveis (quando a vítima tem até 14 anos, é deficiente, idosa ou não tem condições de se defender, como acamados ou pessoas sob efeito de drogas lícitas ou ilícitas) representa 75% dos crimes de estupro de janeiro a maio deste ano na cidade. Foram lavrados 16 BOs (Boletins de Ocorrências), nos quais 12 figuram como vítimas nestas condições, ou seja, dois crimes a cada 30 dias. Os dados são da Secretaria de Estado da Segurança Púlbica.

O número é 23% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Esses números referem-se aos casos em que foram lavrados BOs, porém a subnotificação desse tipo de crime ainda é muito grande. Muitas famílias sentem vergonha em expor o problema, pois é quase regra que o agressor, depois de prestar depoimento na polícia, é liberado, pois dificilmente há flagrante.

Pandemia – Para alguns analistas o aumento no caso de estupros de vulneráveis está relacionado com a pandemia e com a maior proximidade entre as pessoas, uma vez que os dados indicam que o agressor, normalmente, é alguém próximo da vítima. Para outros, a prevenção de crimes como esse passa por questões como a educação sexual, para que as crianças saibam desde cedo que tipo de comportamento pode ser uma ameaça, mas aponta que é preciso também estrutura para o acolhimento da vítima.

Esse acolhimento, segundo eles, que começa na própria família, depende também de uma desconstrução de conceitos masculinos e não apenas por parte dos homens.

Um dado curioso é que o total de vulneráveis vítimas de agressores em Mairiporã foram 26 em cada um dos últimos três anos (2018 a 2020).