Virada Inclusiva: quando o direito de existir encontra o dever coletivo de incluir

“A verdadeira inclusão começa quando enxergamos a pessoa antes da limitação.” (Maria Montessori)

Entre os dias 1 e 7 de dezembro, o Estado de São Paulo realiza a Virada Inclusiva 2025, celebrando os 10 anos da Lei Brasileira de Inclusão (LBI). Com o tema “Direito de ser, viver e protagonizar”, a edição deste ano reforça uma verdade essencial: inclusão não é um gesto de benevolência, mas um direito garantido e um compromisso coletivo. A LBI, desde 2015, ampliou horizontes e garantias, mas a prática diária nos lembra que ainda há barreiras a serem superadas, especialmente no olhar e nas atitudes da sociedade.
A inclusão plena nasce na convivência. É no cotidiano na escola, no comércio, na igreja, no transporte, nos espaços públicos e privados que se revela se as pessoas com deficiência estão sendo reconhecidas como sujeitos de direitos, de potencialidades e de desejo de participação. A psicologia nos mostra que a exclusão adoece: dificulta vínculos, fere a autoestima, impede a autonomia e produz sofrimento. Por isso, a inclusão é também uma pauta de saúde mental, cidadania e cuidado comunitário.
Em 2024, mais de 320 atividades movimentaram a Virada Inclusiva em todo o Estado. Neste ano, a expectativa cresce. Mairiporã também integra esse movimento com ações culturais, oficinas, debates, atividades reflexivas e espaços de escuta reafirmando que a pessoa com deficiência deve estar no centro da conversa, participando e protagonizando.
A Virada nos convida a reconhecer a inclusão em suas várias dimensões: a física, presente em rampas, pisos táteis, banheiros acessíveis e transporte adaptado; a comunicacional, garantida por Libras, braile, legendas, audiodescrição e linguagem simples; a educacional, com materiais adaptados e apoio pedagógico; a social e afetiva, que assegura acolhimento em comunidades, igrejas e espaços culturais; e a profissional, que oferece oportunidades reais, funções adaptadas e tecnologias assistivas para valorizar talentos.
Essas práticas mostram que incluir é eliminar barreiras físicas, comunicacionais e, principalmente, de atitude. A LBI reforça que a limitação não está na deficiência, mas nas barreiras que impedem a participação. Quando elas caem, a sociedade se torna mais justa e humana.
A Virada Inclusiva 2025 reforça que a diversidade humana não é exceção: é regra. E, como bem apontava Hannah Arendt, o “mundo comum” é o espaço que compartilhamos enquanto vivemos. Por isso, cada gesto de inclusão na rua, no serviço público, no comércio, na escola, na igreja, na família é uma forma de ampliar esse mundo comum e torná-lo acessível a todos.
Reflexão – Que Mairiporã através da gestão inclusiva e do CMDPD (Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência) e de seu grande trabalho engajado e atuante, que não começou hoje, siga compromissada com essa construção, fortalecendo ações concretas e ampliando diálogos que promovam respeito, dignidade e participação plena. Incluir é reconhecer o direito de ser, viver e protagonizar a própria história. É também reconhecer que só existe sociedade quando todos podem caminhar no mesmo espaço, com as mesmas possibilidades de pertencimento e realização.

Raphael Blanes: Servidor Público Municipal, formado em Filosofia, Gestão em Saúde Pública, Técnico em Vigilância em Saúde com ênfase no Combate às Endemias, Gestão Hospitalar, Saúde Única (One Health), RH e Desenvolvimento de Equipes e graduando em Psicologia. Instagram: @raphaelblanes – Email: blanes.med@gmail.com.