Mal piscamos os olhos e janeiro já ficou para trás. O calendário virou a primeira página do ano e, com ele, veio aquela sensação de que 2026 promete passar mais rápido do que gostaríamos. Parece que o tempo, neste novo ciclo, resolveu acelerar o passo, como quem tem pressa de chegar ao fim sem nos avisar. Não é apenas impressão, pois o carnaval já está por aí. Mal começamos o ano e já temos uma parada. Sem contar uma sequência de feriados que se espalham ao longo dos meses, muitos deles com pontes e fins de semana prolongados. São datas que quebram a rotina, reorganizam os compromissos e, sem percebermos, encurtam o ano.
Some-se a isso a Copa do Mundo, capaz de parar o país, reunir famílias diante da televisão, movimentar o comércio, os bares, as conversas nas filas e até os assuntos no trabalho. O Brasil muda de ritmo quando a bola começa a rolar e eu particularmente, estou muito esperançoso pelo sonhado hexa.
Assim, o ano vai sendo dividido não por meses, mas por acontecimentos. O tempo deixa de ser contado em dias e passa a ser marcado por eventos: antes do Carnaval, depois do Carnaval, durante a Copa, depois da Copa. Quando percebemos, já estamos falando do segundo semestre, e aquilo que parecia distante se torna repentinamente próximo.
Vivemos na era da pressa. Tudo é urgente, tudo precisa ser resolvido rapidamente, tudo é para ontem. A tecnologia nos prometeu mais tempo, mas acabou nos entregando menos silêncio e menos pausa. O relógio corre, os compromissos se acumulam e os dias parecem cada vez mais curtos.
Talvez por isso a sensação de que os anos passam mais depressa do que antigamente. Meu aniversário será em maio e é bastante estranho pensar na idade nova, mas 2026 pode ser também um convite. Um aviso discreto de que, se o tempo voa, é preciso aprender a voar junto com ele, sem deixar que a vida passe como um trem que só vemos pela janela. Não se trata de correr mais, mas de viver melhor. Não se trata de fazer tudo, mas de fazer o que realmente importa.
Estou mais magrinho, o que era uma das minhas vontades para esse ano e quero cada vez mais que este seja o ano para tirar sonhos da gaveta e dar forma aos projetos guardados. O ano para transformar planos em passos, palavras em atitudes, intenções em movimento. O ano para compreender que esperar o “momento ideal” muitas vezes é apenas uma maneira elegante de adiar a própria felicidade.
Também é o ano para estar mais perto de quem importa. Valorizar o almoço em família, a conversa sem pressa, o café compartilhado, o abraço que não cabe em mensagem de celular. Momento de ter paciência com os mais velhos e experientes em um mundo cada vez mais digital, os encontros reais ganham um peso ainda maior. São eles que sustentam a memória e dão sentido ao tempo vivido.
Procrastinar é, de certa forma, adiar a própria existência. Deixar para amanhã o que pode ser vivido hoje é correr o risco de perder o melhor da viagem. O calendário não negocia, não espera, não faz concessões. Ele avança, dia após dia, indiferente às nossas desculpas e aos nossos adiamentos. Desejo também a você, caro leitor, que 2026 não seja apenas mais um número pendurado na parede, mas um tempo bem vivido. Um ano com menos adiamentos e mais atitudes, menos pressa e mais presença, menos desculpas e mais encontros.
Um ano em que o relógio continue andando, como sempre, mas em que o coração aprenda a acompanhar o ritmo da vida com mais felicidade do que expectativa.
Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”