Represas de São Paulo se esvaziam com onda de calor e aumento do consumo

O consumo de água no final do mês de dezembro aumentou em toda a Região Metropolitana de São Paulo, que fez o Sistema Integrado Metropolitano, que abrange sete mananciais, a operar abaixo dos 26%.
No caso do Sistema Cantareira, o nível, ontem, estava abaixo dos 20% (19,9%) de sua capacidade de armazenamento. É o menor nível dos últimos quatro meses. O Cantareira é o maior produtor de água da Grande São Paulo, utilizando 33 m3/s de água para abastecer 46% da população.
De acordo com governo estadual, a situação exige “atenção permanente”, e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informa que “mantém o sistema sob monitoramento contínuo, com reforço no bombeamento, direcionamento do abastecimento no período noturno e apoio de caminhões-pipa em áreas críticas”.
O Sistema Cantareira registrou em outubro o nível mais baixo do reservatório dos últimos dez anos. No dia 24, o sistema operava com 24,2% do volume útil, quantidade de água que pode ser transferida para o abastecimento da Região Metropolitana.
As represas estavam se recuperando lentamente. Em 8 de dezembro, 24,6% da capacidade estavam disponíveis. Com algumas chuvas, o volume chegou a 27,3%. Na última semana, no entanto, o volume útil vem caindo dia após dia. O cenário é resultado de dois fatores importantes.
O primeiro, a onda de calor recorde, que intensificou a pressão operacional sobre o sistema. Por dois dias seguidos, a cidade São Paulo registrou recorde de temperatura para o mês de dezembro ao atingir 36,2ºC nesta sexta-feira, 26.
O outro componente é a elevação do consumo de água, que chegou a até 60% em alguns municípios, de acordo com a Sabesp.
Entre os dias 14 e 20 de dezembro, a companhia produzia 66 mil litros de água por segundo para atender 21 milhões de habitantes da Região Metropolitana. Na quarta-feira, 24, esse volume chegou a 72 mil litros por segundo, mesmo com uma redução estimada de 30% da população devido às viagens de fim de ano.
Chuvas abaixo da média – Desde agosto, o poder estadual, em parceria com a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), determinou a redução da pressão noturna da água na região metropolitana de São Paulo para preservar os mananciais.
Os modelos meteorológicos indicam baixa previsão de chuvas, que devem ficar abaixo da média em janeiro. Mesmo quando ocorrerem, as precipitações podem não ser suficientes para reverter rapidamente o quadro. (Da Reportagem)