Em 2025, os índices de criminalidade no Estado de São Paulo apresentaram reduções significativas em crimes como homicídios, roubos, latrocínios, furtos de veículos e roubos de cargas. Do total de 645 municípios paulistas, 289 não registraram nenhum homicídio ao longo do ano, o que representa quase metade do Estado.
Na região do Cimbaju – composta pelos municípios de Mairiporã, Franco da Rocha, Caieiras, Francisco Morato e Cajamar – a tendência de queda também foi observada. Considerando o conjunto das ocorrências de homicídios, roubos (gerais, de veículos e de cargas), furtos (gerais e de veículos) e estupros, houve redução de 9,6% em relação a 2024.
Apesar do recuo global, os homicídios (dolosos e culposos por acidente de trânsito) apresentaram leve alta. O total passou de 80 registros em 2024 para 82 em 2025, aumento de 2,5%.
A maior redução foi registrada nos roubos (gerais, de veículos e de cargas), que caíram 27,9%. Em 2025, foram contabilizados 1.703 casos, contra 2.359 no ano anterior. Já os furtos (gerais e de veículos) tiveram diminuição discreta, de apenas 0,8%, com 4.948 ocorrências em 2025, ante 4.986 em 2024.
O crime de estupro, embora tenha apresentado redução de 17,8% nos registros policiais, ainda mantém números elevados, especialmente envolvendo vítimas vulneráveis – pessoas que não possuem meios ou condições de se defender. Em 2025, foram registrados 245 casos, contra 298 em 2024.
No total dos itens analisados, a região do Cimbaju contabilizou 6.985 ocorrências em 2025, frente a 7.723 em 2024. Apesar da queda nos indicadores, a região segue sendo considerada uma das mais violentas do Estado, exigindo atenção permanente do poder público.
Violência elevada – Mesmo com a redução observada em diversos indicadores, a violência na região do Cimbaju permanece estrutural e multifatorial. Alguns fatores ajudam a explicar esse cenário: 1. Vulnerabilidade social e desigualdade (Grande parte dos municípios da região apresenta bolsões de pobreza, crescimento urbano desordenado e carência de políticas públicas consistentes nas áreas de educação, assistência social, habitação e emprego. Esses fatores criam um ambiente propício ao aumento da criminalidade); 2. Crescimento populacional acelerado (Cidades como Francisco Morato, Franco da Rocha e Cajamar tiveram expansão populacional acima da capacidade de planejamento urbano, o que pressiona serviços públicos e dificulta ações preventivas de segurança); 3. Proximidade com grandes centros urbanos (A localização estratégica, próxima à capital paulista e a importantes eixos rodoviários, favorece crimes patrimoniais, como roubos e furtos de veículos, além de servir como rota para o crime organizado); 4. Déficit histórico de policiamento e prevenção (Embora haja avanços pontuais, a região ainda sofre com efetivo policial insuficiente, baixa presença do Estado em determinadas áreas e ações concentradas mais na repressão do que na prevenção) e 5. Violência doméstica e contra vulneráveis (Os altos índices de estupro e outros crimes contra pessoas vulneráveis indicam falhas na rede de proteção social, subnotificação em anos anteriores e dificuldade de romper ciclos de violência familiar.
Em síntese, a queda nos índices é um sinal positivo, mas insuficiente para alterar, de forma estrutural, a percepção e a realidade da violência na região do Cimbaju. A reversão definitiva desse quadro passa pela integração entre políticas de segurança, inclusão social, planejamento urbano e fortalecimento das redes de proteção às vítimas. (Salvador José/CJ)