Número de filiados a partidos políticos em Mairiporã cai 57%

Em 2025, segundo dados oficiais, o número de pessoas filiadas a partidos políticos no município era de 6.552 eleitores. Esse contingente, em agosto deste ano, sofreu uma redução de 57%, com 3.780, divididos entre apenas oito partidos considerados ativos pela Justiça Eleitoral.

Isso fez com o total de filiados a partidos no município caísse para 5,74% do total do colégio eleitoral, formado por 65.852 pessoas aptas a votar em outubro vindouro.

A queda no número de filiados, independentemente aos poucos partidos ativos, reflete um fenômeno que vai muito além das fronteiras do município e se insere em um contexto nacional de desgaste das legendas e descrédito da política institucional. A redução é mais um capítulo de um processo contínuo de esvaziamento das estruturas partidárias, observado há pelo menos uma década em todo o País.

Em Mairiporã, o dado chama ainda mais atenção porque a cidade conta com 28 partidos formalmente constituídos, em sua maioria por meio de comissões provisórias, o que por si só já indica fragilidade organizacional. A proliferação de siglas não se traduz em engajamento político real, mas sim em estruturas burocráticas criadas, muitas vezes, apenas para atender à legislação eleitoral e viabilizar candidaturas.

Os oito partidos regulares com filiados são: MDB (1.406); PL (552); PT (472); PP (453); PODEMOS (400); PSB (284); PSD (141) e PSOL (72). Ainda assim, as agremiações com maior número de filiados não conseguem converter essa base em representatividade política efetiva. O fato de legendas tradicionais não possuírem sequer um vereador na Câmara Municipal é sintomático: o eleitor está cada vez mais distante das siglas e mais próximo de candidaturas personalistas, desvinculadas de programas partidários consistentes.

Entre os principais fatores que explicam esse desinteresse estão: Descrédito da classe política: sucessivos escândalos de corrupção envolvendo praticamente todos os grandes partidos corroeram a confiança da população; Enfraquecimento da identidade ideológica: muitas legendas abandonaram programas claros e passaram a atuar de forma pragmática, focadas apenas em alianças eleitorais e ocupação de cargos; Crescimento do personalismo: o eleitor tende a votar em pessoas, não em partidos, reduzindo a importância da filiação como instrumento de participação política; Burocratização dos partidos: para o cidadão comum, filiar-se raramente significa participar das decisões ou influenciar rumos políticos.

O resultado é um sistema partidário cada vez mais inchado em número de siglas, porém esvaziado de militância, debate e mobilização social. Em cidades como Mairiporã, isso se traduz em partidos que existem formalmente, mas não possuem vida política real, funcionando apenas em períodos eleitorais.

Como não aparecem na lista como partidos regulares em Mairiporã, não foi possível saber o total de filiados das agremiações AGIR, AVANTE, CIDADANIA, DC, MOBILIZA, O DDEMOCRATA, PCB, NOVO, PRTB, PSDB, PV, REDE, REPUBLICANOS, SOLIDARIEDADE, UNIÃO e UP. (Wagner Azevedo/CJ – Foto: Reprodução)