A guerra entre EUA e Irã segue obrigando governos a buscar saídas para enfrentar os aumentos nos combustíveis derivados de petróleo. No Brasil, a possível elevação da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, anunciada na quarta-feira (8) pelo Ministério de Minas e Energia para este semestre, deve gerar forte impacto na economia, ampliando a demanda pelo biocombustível, reduzindo a dependência de gasolina importada e fortalecendo a segurança energética do país.
Segundo especialistas, cada ponto percentual adicional na mistura representa cerca de 840 milhões de litros a mais de demanda por etanol anidro em um período de 12 meses. Com a proposta de aumento de dois pontos percentuais, o mercado pode absorver cerca de 1,68 bilhão de litros adicionais.
Esse volume se soma à elevação anterior, implementada em agosto de 2025, quando a mistura passou de 27% para 30%. Considerando os dois ajustes, o aumento total na demanda chega a cerca de 4,2 bilhões de litros de etanol anidro em um ano, o que deve elevar as projeções para a produção de anidro, que giravam em torno de 11,5 bilhões de litros.
A medida deve mesmo ser anunciada ainda no primeiro semestre de 2026, já que o governo sinalizou prazo para implementação. O timing é considerado estratégico, coincidindo com o início da safra de cana-de-açúcar, o que permite às usinas ajustarem a produção.
Com representa que a produção da cana destinado ao etanol deve subir para cerca de 54% nesta safra, ante 46% no ciclo anterior, quando o açúcar ainda apresentava maior rentabilidade. Agora, o cenário se inverte: o etanol volta a ser mais competitivo, com vantagem de preço estimada entre 30% e 35% sobre o açúcar.
A mudança também impacta o equilíbrio entre combustíveis. O aumento da mistura deve reduzir o consumo nacional de gasolina. De acordo com os cálculos, o crescimento de 4,2 bilhões de litros da oferta de etanol no ano equivale a pouco mais de um mês do consumo nacional de gasolina.
Além dos efeitos econômicos, a medida traz ganhos ambientais, ao ampliar o uso de um combustível renovável e menos poluente, e reforça a segurança energética ao diminuir a necessidade de importações. (Da Redação – Foto: Getty Images)