Em se tratando do crescimento da frota de veículos, Mairiporã apresenta um cenário preocupante. O município registra, atualmente, uma média de 1,4 veículo motorizado por habitante. São 67.043 veículos, conforme dados do Ministério dos Transportes, considerando os dois primeiros meses deste ano, para uma população estimada em 97.833 habitantes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Na comparação entre o primeiro bimestre deste ano e o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 4,1%, o que representa 2.705 unidades a mais circulando pelas ruas da cidade.
Por outro lado, a infraestrutura viária permanece praticamente inalterada. Mairiporã conta com 2.378 vias públicas, distribuídas entre 116 avenidas, 177 estradas, 453 alamedas, 50 vielas, 25 praças, 4 rodovias, 58 travessas e 1.495 ruas.
Com 67 mil veículos para pouco mais de 2 mil vias, a média é de 28,1 veículos por via. No entanto, esse número não reflete a realidade do dia a dia, já que a maior parte do tráfego se concentra nas vias principais, especialmente na região central, onde o fluxo é intenso e constante.
Os dados mensais reforçam essa tendência de crescimento: em janeiro deste ano eram 66.821 veículos, passando para 67.043 em fevereiro. No mesmo período de 2025, os números eram de 64.147 e 64.338, respectivamente. Automóveis (39.906) e motocicletas (10.732) representam juntos 75,5% da frota total.
Outro fator que agrava o cenário é o trânsito de passagem. Centenas de veículos vindos de cidades vizinhas, além do fluxo oriundo do Rodoanel Oeste, utilizam as vias urbanas de Mairiporã como rota alternativa para acessar a rodovia Fernão Dias, sobrecarregando ainda mais um sistema viário já limitado.
Na comparação com grandes centros, o crescimento da frota local chama ainda mais atenção. Enquanto Mairiporã registrou aumento de 4,1%, a cidade de São Paulo teve crescimento de 2,22%, e Campinas, de 2,4% no mesmo período.
Estrutural – O avanço acelerado da frota em Mairiporã escancara um problema crônico: o descompasso entre o crescimento do número de veículos e a estagnação da malha viária. Diferentemente de grandes cidades, que ainda conseguem promover intervenções estruturais – como abertura de novas vias, corredores de transporte coletivo e investimentos em mobilidade urbana -, Mairiporã enfrenta limitações geográficas, urbanísticas e financeiras que dificultam esse tipo de expansão.
O resultado é previsível: aumento dos congestionamentos, dificuldade de estacionamento, maior tempo de deslocamento e pressão constante sobre a região central. A situação tende a se agravar em horários de pico, fins de semana e feriados, quando o fluxo de veículos de fora da cidade aumenta significativamente.
Além disso, a forte dependência do transporte individual – evidenciada pela predominância de automóveis e motocicletas – indica a ausência de alternativas eficazes de mobilidade, como transporte coletivo atrativo ou políticas de incentivo a meios não motorizados.
Sem planejamento de longo prazo, o município corre o risco de ver sua mobilidade entrar em colapso gradual. Medidas como reorganização do trânsito, criação de rotas alternativas, investimentos em transporte público e controle do tráfego de passagem serão cada vez mais necessárias para evitar que o problema, já evidente, se torne insustentável nos próximos anos. (Salvador José/CJ – Foto: M. Borges)