A mobilidade urbana continua a ser um dos principais problemas dos governantes municipais. Em Mairiporã não é diferente e se torna mais grave com o passar do tempo. Com um sistema viário antigo, formado por poucas e estreitas vias, volume considerável de veículos que utiliza a cidade como rota de ligação entre o rodoanel e a Fernão Dias, e aumento contínuo da frota, são os ingredientes que travam o tráfego de veículos na zona urbana e que, aos poucos, se espalha para os bairros.
Em apenas doze meses (julho de 2020 a julho deste ano), a cidade ganhou 1.995 novas unidades automotivas, crescimento de 3,6% no período. Os dados são do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e a frota passou de 53.947 para 55.942 veículos.
Se do ponto de vista econômico esse crescimento reflete positivamente no desenvolvimento de Mairiporã, sinal de melhoria do setor, para a gestão de mobilidade urbana causa preocupação, pois dados extraoficiais revelam que o transporte individual representa algo próximo a 45% dos deslocamentos diários, enquanto o transporte coletivo concentra a metade (20%), e o não motorizado em torno de 35%.
IBGE – Estimativa recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada em agosto, mostra que o município teve um crescimento populacional de 1,67% no mesmo período de um ano, que não chega nem à metade do aumento verificado em relação à frota de veículos.
Uma análise mais minuciosa tem um outro dado preocupante: cerca de 54% do total de habitantes possuem veículos, que representam 1,85 pessoa por unidade.
Esses dados demonstram que Mairiporã está cada vez mais próxima de chegar na equivalência veículo/habitante, ou seja, um veículo para cada habitante. A análise dos números indica que tal situação deve ocorrer nos próximos anos, já que a frota cresce mais que o dobro do número de habitantes.
No cômputo geral, a frota não inclui somente automóveis, mas também caminhões, caminhonetes, utilitários, motocicletas e ônibus, entre outros. (Foto: Correio Imagem)