Filme velho

O Brasil, mais uma vez, recebe a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Agora é a vez de Belém, no Pará, sediar a COP 30. Mas, apesar da expectativa que recai sobre o evento, o roteiro é conhecido: organização confusa, participação tímida de diversos países – alguns sequer enviaram representantes – e decisões que mal saem do papel.
Nesta edição, repetiram-se os velhos entraves que marcaram encontros anteriores: dificuldade em aprovar resoluções, lentidão em aplicar medidas já amplamente discutidas e um festival de promessas que parecem destinadas a ser votadas – quem sabe um dia – na Austrália ou na Turquia (futuras edições). A meta de “salvar o planeta” soa cada vez mais como slogan do que como compromisso real, gerando mais descrença do que esperança.
A COP 30, evento que deveria ser tratado com seriedade, acaba ofuscado pelo contraste com a realidade: crimes ambientais seguem em alta, especialmente nos países mais desenvolvidos, que deveriam liderar pelo exemplo.
A cena remete aos anos 1980 e 1990, quando o Congresso Nacional dos Municípios surgiu com o objetivo de debater problemas comuns às cidades brasileiras e propor soluções. Muito discurso, inúmeros painéis, presença ostensiva de deputados, senadores e governadores – e, na prática, muito pouco de efetividade.
Tal como nos encontros climáticos, o Congresso Municipal transformou-se, para muitos gestores, em uma oportunidade de turismo institucionalizado. Prefeitos, vereadores e secretários organizavam grupos para viagens a cidades litorâneas, desfrutando de passeios e lazer, enquanto as reuniões eram solenemente ignoradas. Tudo, claro, financiado com dinheiro público. A farra nunca foi discreta e tampouco demonstrou qualquer preocupação com economia ou eficiência.
Nesse Brasil que já viu de tudo – e já foi chamado, não por acaso, de “republiqueta de bananas” e até de “não é um país sério” – os enredos da COP 30 e dos Congressos de Municípios têm muito em comum. São filmes repetidos, exibidos à exaustão, e que deixam sempre no cidadão o mesmo sabor amargo: o de que o final, por mais que se deseje, não muda.