Estupros aumentam 67,7% em Mairiporã nos nove primeiros meses do ano

Os crimes de estupro registrados em Mairiporã cresceram 67,7% entre janeiro e setembro deste ano, em comparação com igual período de 2024. Os dados fazem parte do balanço oficial da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP).
Nos nove primeiros meses de 2025, foram contabilizados 31 casos, média de 3,4 ocorrências mensais. No ano anterior, haviam sido 21 registros, equivalentes a 2,3 por mês.
Vulneráveis predominam – A maior parte dos crimes envolve vítimas consideradas vulneráveis pela legislação – menores de 14 anos ou pessoas que, por enfermidade física ou deficiência mental, não têm meios de resistir.
Entre janeiro e setembro, Mairiporã registrou 22 estupros de vulnerável, contra 14 no mesmo intervalo de 2024, uma alta de 36,4%.
Esse tipo de crime, segundo especialistas, costuma ocorrer em ambientes que deveriam oferecer proteção, como residências de familiares e conhecidos, ou locais frequentados diariamente pelas vítimas, como a escola. A proximidade entre agressor e vítima é apontada como um dos principais fatores de subnotificação e dificuldade de prevenção.
Cenário de risco – Apesar das variações naturais entre trimestres, o número total de estupros na cidade não dá sinais de recuo. O avanço, avaliam profissionais da rede de proteção, está diretamente ligado à ausência de políticas públicas estruturadas para enfrentamento da violência doméstica, educação preventiva e acompanhamento de famílias em situação de vulnerabilidade.
Medidas como o fortalecimento das ações conjuntas entre Conselho Tutelar e Ministério Público, fiscalização rigorosa de medidas protetivas e programas de acolhimento às vítimas são apontadas como caminhos prioritários para conter o avanço desse tipo de crime.
Na comparação regional, o desempenho é desigual, pois três dos cinco municípios do entorno registraram queda nos casos de estupro entre 2024 e 2025: Cajamar, Francisco Morato e Franco da Rocha.
Já Caieiras e Mairiporã seguiram na contramão, com aumentos expressivos – sobretudo nos registros envolvendo vítimas vulneráveis. (Lúcia Helena/CJ)