A mudança na liderança da geração de empregos ao longo do ano evidencia a sensibilidade do mercado formal de Mairiporã às oscilações conjunturais, especialmente no último trimestre. O desempenho negativo de dezembro – tradicionalmente marcado por contratações temporárias no Comércio e Serviços – indica que o enfraquecimento da atividade econômica foi suficiente para neutralizar parte dos ganhos acumulados até novembro, sobretudo na Indústria de Transformação, que vinha sustentando os melhores resultados do ano.
Ainda assim, o saldo positivo de 611 vagas em 2025 revela um mercado de trabalho mais resiliente do que em 2024, com crescimento expressivo de 24,1% na geração líquida de empregos. O Comércio, ao assumir a liderança, confirma sua relevância estrutural para a economia local, impulsionado principalmente pelo varejo e por atividades ligadas ao consumo interno. O setor de Serviços, embora permaneça como o maior empregador em termos absolutos, foi o mais afetado pelas demissões no fechamento do ano, o que acende um sinal de alerta para 2026.
O estoque recorde de 16.820 trabalhadores com carteira assinada reforça a tendência de formalização do emprego no município, mas também expõe desafios. A baixa participação da população economicamente ativa – apenas 17,1% dos habitantes – sugere limitações estruturais, seja pela informalidade, pelo envelhecimento da população ou pela dependência de empregos fora da cidade.
Em síntese, os números apontam para um avanço consistente do emprego formal ao longo do ano, porém com forte concentração setorial e elevada vulnerabilidade a choques de curto prazo. Para sustentar o crescimento nos próximos anos, Mairiporã precisará diversificar sua base produtiva, fortalecer a indústria local e criar condições para que o setor de Serviços retome o fôlego sem depender exclusivamente de ciclos sazonais do Comércio. (Cláudio Cipriani/CJ – Foto: Reprodução)