Coluna do Correio

FRASE

“Dinheiro público é o dinheiro que o governo tira dos que não podem escapar e dá aos que escapam sempre.” (Millôr Fernandes, desenhista, escritor, poeta e jornalista brasileiro)

FEBRE (I)

Assiste-se por todo o País a concessão de reajustes e aumentos nos salários (subsídios) dos políticos em cargos eletivos. Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas, Câmara e Senado Federal, com extensão da bondade ao Poder Judiciário mal começaram o ano com direito a polpudos vencimentos em seus contracheques ao final de cada trinta dias. Como de costume, empurraram o reajuste do salário mínimo para outra data (fala-se em maio), sob a alegação de falta de recursos. Embora pareça piada, é a realidade. Aumentar subsídios dos políticos virou febre e a coisa não escapa nem mesmo daqueles municípios cuja pobreza salta aos olhos. Cidade pobre, mas dirigentes bem pagos.

FEBRE (II)

Há municípios em que as mudanças não se restringiram aos vencimentos. Não! Foram muito além, com a concessão de 13º salário a vereadores, e ainda o direito a 1/3 de férias. Na maioria dos parlamentos municipais, o período de férias ultrapassa 70 dias, e agora com direito a um pagamento extra em dinheiro. É bondade que não acaba mais. Também para premiar apaniguados e correligionários, em alguns legislativos aprovaram o aumento no número de cadeiras. Ingredientes que, uma vez mais, comprovam que nossos políticos sentem absoluto desprezo pelos incautos que os elegem a cada quatro anos.

FEBRE (III)

Em Mairiporã a questão salarial dos senhores edis também mereceu um reajuste dos mais expressivos, de 22%. A partir de janeiro de 2025, cada vereador irá receber mensalmente um subsídio de mais de R$ 12 mil, o que convenhamos, não é nada mal para uma mísera sessão semanal. Por sorte, nossos solertes vereadores ainda não tiveram a coragem de ampliar o número de cadeiras e votar (vontade não faltou) a concessão de um 13º salário e um terço de férias.

2024

Esse quadro pintado com cores vibrantes é um atrativo para que nas próximas eleições, em 2024, o número de postulantes a uma cadeira na Câmara se multiplique, afinal, quem nesta cidade recebe um salário de R$ 12 mil? Com a obrigatoriedade de comparecer uma vez por semana ao plenário? Esses atrativos não só embalam o sonho de ser vereador, como ainda oferece àquele que sair derrotado das urnas, a possibilidade de uma boquinha no serviço público, também conhecida como ‘cargo em comissão’. Conclui-se disso tudo, que pelo menos para os políticos eleitos, aquele paraíso de Adão e Eva resistiu ao tempo. O paraíso é aqui!

VAI COMEÇAR!

Senhoras e senhores eleitores, a campanha eleitoral visando 2024 vai começar. Findo o Carnaval, agora tem início a temporada de caça de incautos para filiação partidária e também, dependendo da conversa, para disputar como candidatos a vereador. Embora nem todas as agremiações estejam em dia com a Justiça Eleitoral, no decorrer do tempo vão ajustar os ponteiros e se colocar como opção (aquela conversa de gente nova, que pensa no futuro, de ideias arrojadas) aos eleitores. A mesma receita que os vereadores eleitos pela primeira vez se utilizam para enganar a massa ignara. É bem verdade que boa parte deles dura apenas um mandato.

DUAS EM UMA

Como acontece todas as vezes em que o feriado cai numa terça-feira, a Câmara de Mairiporã realiza duas sessões ordinárias na semana seguinte. No caso, duas em uma única data. A lembrar que as sessões do Legislativo local estão sendo realizadas de modo remoto, pois o parlamento passa por obras.

APOSTAS

Rodinhas pelas esquinas da cidade e conversas ao pé do ouvido, ouvidas aqui e ali, apontam para apostas que vão desde 5 até 8 vereadores que não terão seus mandatos renovados ao final das eleições do ano que vem. Quais os critérios adotados para se chegar a esses números, ninguém sabe, mas um olhar mais atento aos números das últimas três eleições, mostram que são palpites que não estão muito longe da verdade.

COMPORTAMENTO

Nos últimos anos, o comportamento do comércio em relação aos feriados tem sofrido mudanças radicais. A maioria deles (os feriados) não é mais levada em consideração e o atendimento ao público consumidor segue sem interrupção. Evitar prejuízos e redução nas vendas estão dentre os principais motivos. E o Carnaval, até então intocável, também entrou na lista (embora seja ponto facultativo) das datas em que a vida segue dentro da normalidade, ou seja, expediente de trabalho vem em primeiro lugar. Afinal, o Brasil é pródigo em feriados, boa parte deles com a permissividade dos ‘prolongamentos’.

BAGATELA

A Prefeitura de Praia Grande lançou edital para licitar a construção de 18 banheiros na orla da cidade. O curioso é que cada unidade vai custar a bagatela de  R$ 750 mil, ou seja, o preço de um apartamento. Segundo a reportagem dos jornais da cidade praiana, um apartamento com 151 metros quadrados tem exatamente esse valor. Banheirinho caro, né!