Desde a chegada de Pedro Álvares Cabral a este país bonito por natureza, abençoado por Deus e, infelizmente, roubado por homens públicos sem compromisso com o bem comum, a corrupção se faz presente como prática recorrente do poder.
Não é exagero afirmar que ela nasceu junto com o próprio processo de colonização. Já nos primeiros contatos com os povos originários, a troca desigual de riquezas naturais por quinquilharias europeias – espelhos, miçangas e perfumes – simbolizava não apenas o choque cultural, mas o embrião de uma lógica predatória que atravessaria séculos.
Daquele momento inaugural até os dias atuais, a corrupção deixou de ser exceção para se tornar regra em diferentes períodos da história nacional. Mudaram-se os regimes políticos, as Constituições, os discursos e até os protagonistas, mas o vício permaneceu. Se antes a espoliação se dava de forma rudimentar, hoje ela se apresenta sofisticada, travestida de legalidade, contratos, emendas, fundos e mecanismos financeiros cada vez mais complexos.
A tecnologia, que deveria servir como instrumento de eficiência e transparência, também passou a ser usada para refinar os métodos de desvio, fraude e apropriação do dinheiro público. O que antes exigia malas e cofres, agora circula em cliques, transferências digitais e estruturas empresariais montadas para ocultar rastros. O avanço técnico não foi acompanhado, na mesma proporção, pelo avanço ético.
O mais desalentador é perceber que, apesar das sucessivas denúncias, escândalos e promessas de moralização, pouco muda no comportamento de quem ocupa os espaços de poder. Os personagens se revezam, mas a mentalidade permanece intacta.
São os mesmos “honoráveis bandidos”, protegidos por discursos vazios, estruturas institucionais frágeis e, muitas vezes, pela conivência de parte da sociedade.
Enquanto isso, a conta segue sendo paga pelo trabalhador, que sustenta o Estado, mas não recebe de volta serviços públicos à altura de seus impostos. Combater a corrupção, portanto, não é apenas uma pauta moral – é uma exigência de justiça social, respeito à cidadania e compromisso real com o futuro do país.
Sem isso, continuaremos repetindo a história, apenas com ferramentas mais modernas para os mesmos velhos desvios.