Querida pessoa cansada,
Escrevo para você que segurou firme por tanto tempo que agora mal reconhece o próprio cansaço. Para você que insistiu quando era mais fácil desistir, que tentou de novo quando ninguém mais tentaria, que ficou quando o mundo inteiro parecia estar indo embora. E esse cansaço não é só do corpo, é da alma.
Saiba que insistir não é fraqueza. É amor. É esperança. É aquela parte teimosa do coração que acredita que, com mais um pouco de esforço, talvez, só talvez, as coisas se ajeitem. Foi à sua maneira de dizer para a vida que você não desiste fácil do que importa. Você lutou porque acreditava. Porque viu potencial onde outros só viam limite. Porque, dentro de você, existia aquela voz sussurrando: “tenta mais um pouco”. E você tentou. Tentou mesmo quando já estava cansada. Mas existe um momento silencioso, quase imperceptível, em que insistir começa a doer mais do que soltar.
Talvez o peito esteja pesado, o entusiasmo tenha diminuído, e aquela vontade de tentar mais uma vez já não venha com a mesma força de antes. Não de um jeito dramático, mas aos poucos, a esperança fica mais quieta e o coração começa a pedir descanso de um jeito que a gente demora para admitir. Talvez você esteja exatamente aí agora. Se estiver, eu quero que você saiba de uma coisa importante: cansar não é fracassar.
Cansar também é um sinal. Nem tudo que a gente ama foi feito para permanecer. Nem toda porta que a gente empurra precisa, de fato, se abrir. E isso não transforma sua tentativa em fracasso, transforma em história vivida. Reconhecer o próprio limite não apaga a sua coragem. Muito pelo contrário, mostra o quanto você foi longe. Você não perdeu por ter tentado demais. Você não errou por ter acreditado até o fim. Você apenas foi alguém que levou o próprio sentimento a sério. Você foi humana. Sensível. E isso, por si só, já é coragem.
Mas agora talvez seja hora de uma coragem diferente. A coragem de soltar devagar. De descruzar os braços daquilo que não se move. De aceitar que algumas batalhas não se vencem insistindo, se vencem sobrevivendo a elas. Afinal, algumas portas não se abrem com mais força e algumas permanências custam caro demais para o coração.
Eu sei que dá medo parar de insistir. Parece abandono. Parece derrota. Parece que todo o esforço anterior vai perder o sentido. Não vai. Tudo o que você viveu te moldou, te ensinou, te fortaleceu de maneiras que você ainda nem percebeu completamente. Até as tentativas que não deram certo deixaram em você uma espécie de sabedoria silenciosa. Soltar não apaga o que foi importante. Soltar honra o limite que você finalmente reconheceu.
Então, se hoje você estiver cansada, respira. Você não precisa provar mais nada para ninguém. Não precisa se espremer para caber onde já ficou claro que não é o seu lugar. Não precisa continuar uma luta que já levou tudo o que podia ensinar. Às vezes, a paz começa exatamente onde a insistência termina. E talvez, só talvez, ao soltar o que pesa, suas mãos finalmente fiquem livres para segurar o que realmente floresce.
Com carinho, para quem teve coragem de tentar e agora está aprendendo a ter coragem de soltar.
Drielli Paola – @drielli_paola. Servidora Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo. Bacharel em Direito, com pós-graduação e extensões universitárias na área jurídica. Entusiasta de psicologia, história, espiritualidade e causa animal. Apaixonada pela escrita.