A escola e a família na aprendizagem da criança

A primeira educação de uma criança ocorre na família, bem como sua socialização, no percorrer de suas fases de desenvolvimento humano, sendo que, o ambiente escolar e a convivência em comunidade, ao serem inseridos, contribuem na sua construção integral.

Nos dias atuais não prevalece a chamada ‘família patriarcal’ onde o pai, por ser o único provedor financeiro da casa, determinava o percurso da vida dos seus filhos. Nota-se que em muitas famílias a mulher assume além de suas atribuições, também a paterna. E, ainda, em outras famílias os avôs assumem a responsabilidade de pais de seus netos.

Nesses contextos que as crianças aprendem a falar, a gostarem do que lhes é oferecido para comer, a entenderem as regras de convivência social, seus valores e crenças através da educação não formal, conduzida pela estrutura familiar. Para Bourdieu (1998), “cada família transmite a seus filhos, mais por vias indiretas, um certo capital cultural e um certo ethos, sistema de valores implícitos e interiorizados, que contribui para definir as atitudes face a cultura e a instituição escolar.”  

Torna-se fundamental conhecer as origens das crianças e o seu contexto nesse processo de ensino e aprendizagem.

Na sala de aula, cada indivíduo expressa a sua cultura que influencia o seu desenvolvimento escolar por carregar fatores extraescolares que impactam no seu avanço e, também, podem dificultar o seu acesso ao conhecimento cientifico e cultural.

Evidentemente, torna-se fundamental que a sociedade e a própria família depreendam que a responsabilidade pela formação da personalidade e da integridade do sujeito não se pode atribuir somente à escola. Na verdade, no meu entendimento, resta à escola contribuir complementando o papel da família nesses quesitos através do processo de aprendizagem dos sujeitos em seu desenvolvimento humano.

No entanto, é necessário reconhecer que as ações educativas, nas famílias ou nas escolas, não ocorrem isoladamente e se família e escola agirem desarticuladamente poderão possibilitar o fracasso escolar do aluno. Daí a importância do professor ao que se refere à motivação do aluno diante aos desafios encontrados, cabendo-lhe estar preparado para atuar com sujeitos em estágios diferenciados.

Por isso, Oliveira afirma que: “O professor tem um papel de conhecedor da criança, de consultor, apoiador dos pais, um especialista que não compete com o papel deles. Ele deve possuir habilidade para lidar com as ansiedades da família e partilhar decisões e ações com ela” (Oliveira, 2002).

Desta forma em reuniões na escola o diálogo entre famílias e professores possibilitam a compreensão entre as partes cabendo aos professores e à direção da escola informarem e orientarem as famílias de forma objetiva e clara sobre a aprendizagem e as atividades curriculares, visando diminuir às possíveis dificuldades no processo de ensino aprendizagem.

 

Essio Minozzi Jr. licenciado em Matemática e Pedagogia, Pós-Graduado em Gestão Educacional – UNICAMP e Ciências e Técnicas de Governo – FUNDAP, foi vereador e secretário da Educação de Mairiporã.