A escola, a inclusão e o aluno normal

ÉSSIO MINOZZI JR.

Quem inventou o aluno normal? Segundo o Dr. Rafael Soares, “por que tanta gente ainda é tratada como problema só por não caber nesse molde? E por que ainda insistimos em fazer todos os estudantes aprenderem, se comportarem e se comunicarem do mesmo jeito! Durante muito tempo, a escola construiu um modelo de aluno ideal.

E quem não se encaixa nele acaba sendo chamado de lento, difícil, desatento ou incapaz. Mas e se o problema não estiver no estudante, e sim no padrão que a escola insiste em impor? A escola inclui, mas continua selecionando. Matricula e presença não garantem participação real!

Educação inclusiva não é fazer o aluno caber em um molde. É transformar o currículo, a avaliação, as metodologias e as relações para que todos possam aprender e participar. Incluir não é normalizar. É remover barreiras!

O ‘normal’ não nasceu da natureza. Ele foi construído. A escola foi criando, ao longo do tempo, uma imagem do aluno ideal: que aprende no mesmo ritmo, que responde do mesmo jeito, que se comporta do jeito esperado e que se comunica da forma considerada ‘certa’. Quando esse padrão vira regra, tudo o que foge dele começa a parecer erro.

Normal também é invenção escolar! A escola criou uma régua. Essa régua costuma valorizar um aluno que: lê no tempo esperado, escrever sem apoio, ficar sentado por longos períodos, falar do jeito esperado, responder rápido e aprender por um único caminho. O problema é que essa régua não mede só aprendizagem, ela mede adequação do padrão!

Muitas vezes a escola chama de dificuldade o que é diferença! O que não cabe vira problema! Quando existe só um modelo de aluno, quem aprende, comunica-se ou participa de outro modo passa a ser visto como: lento, difícil, desatento, incapaz, malcomportado e sem prontidão. Assim o foco sai da barreira da escola e cai todo sobre o estudante! O problema nem sempre está no aluno. Às vezes, está no padrão!

Mas quem decidiu que é ‘normal’? Quem definiu que aprender bem é escrever, falar do mesmo jeito? Responder no mesmo tempo? Prestar atenção no mesmo modo? Demonstrar conhecimento por uma única via? Se só um tipo de aluno é tomado como referência, a exclusão começa antes mesmo da avaliação. Quando só um jeito de aprender é legítimo, muitos alunos já começam em desvantagem!

Inclusão não é fazer o aluno caber! Educação inclusiva não deveria perguntar: ‘como fazer esse aluno se ajustar ao padrão?’. Ela deveria perguntar: ‘o que a escola precisa transformar para que diferentes alunos aprendam e participem?’ Isso muda tudo: muda o currículo, a avaliação, a comunicação, a metodologia e o olhar. Incluir não é normalizar. É remover barreiras!

Quando o molde cai a escola respira! Uma escola inclusiva começa a reconhecer que há diferentes tempos de aprendizagem, formas de participação, modos de comunicar saberes, trajetórias de desenvolvimento e maneiras de estar no mundo. E isso não diminui a escola. Isso forma a escola mais justa. O contrário de inclusão não é só a exclusão. É também a padronização! Talvez a pergunta nunca tenha sido: “o que há de errado com esse aluno?”. Talvez a pergunta certa seja: “por que a escola ainda insiste em um único tipo de aluno?” A Educação Inclusiva começa quando o padrão deixa de ser intocável!

Essio Minozzi Jr. licenciado em Matemática e Pedagogia, Pós-Graduado em Gestão Educacional – UNICAMP e Ciências e Técnicas de Governo – FUNDAP, foi vereador e secretário da Educação de Mairiporã.

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