O desafio dos 64 Milhões de brasileiros sem Educação Básica
O Brasil enfrenta um de seus maiores e mais persistentes desafios estruturais: 63,9 milhões de cidadãos com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica. Esse contingente alarmante representa 37,3% da população nessa faixa etária, o que significa que mais de um terço dos jovens e adultos do país carrega uma lacuna escolar profunda, limitando suas escolhas e sua qualidade de vida.
Os dados, revelados pelo estudo “Demanda Potencial por EJA e Transição para o Trabalho”, expõem a urgência de políticas públicas voltadas à reinserção escolar. A grande maioria desse grupo – cerca de 44,7 milhões de pessoas – sequer conseguiu finalizar o ensino fundamental. Os outros 19,3 milhões iniciaram o ensino médio, mas foram forçados a abandonar as salas de aula antes de obter o diploma.
O perfil da exclusão – A ausência da educação básica não se distribui de forma igualitária e tem cor e classe social bem definidas no território brasileiro: Desigualdade Racial: A população preta e parda representa 63,9% do total de pessoas sem a escolaridade completa, evidenciando como as vulnerabilidades socioeconômicas históricas continuam a se reproduzir no ambiente escolar.
Impacto no Bolso: A falta de estudo formal cobra um preço alto no mercado de trabalho. A renda domiciliar per capita de quem não concluiu a educação básica e está fora da escola é de R$ 1.427, pouco mais da metade dos R$ 2.777 para quem completou o ensino médio e ensino superior.
Custo de bilhões – Além do drama individual de milhões de brasileiros impedidos de alcançar empregos mais qualificados, a baixa escolaridade asfixia a própria economia nacional. O levantamento estima que o Brasil deixa de gerar R$ 66 bilhões por ano em renda devido à baixa qualificação de sua força de trabalho. Esse valor equivale a cerca de 0,6% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do país.
O cenário se agrava quando olhamos para a principal ferramenta de correção dessa distorção: a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Hoje, a modalidade atende apenas 1,5% da demanda potencial, um índice dramaticamente baixo diante do tamanho do problema. Para mudar essa realidade, especialistas apontam que o país precisa urgentemente criar formatos de ensino mais flexíveis, que conversem com a realidade do trabalhador e que ofereçam uma ponte real entre as salas de aula e a inclusão produtiva no mercado de trabalho.
Garantir que esses 64 milhões de brasileiros concluam seus estudos não é apenas uma questão de justiça social; é o único caminho possível para o desenvolvimento econômico sustentável do Brasil. (Da Redação – Foto: Antônio Cruz/ABR)