Ao longo da vida, aprendi que a comunicação tem muitos formatos. Às vezes, ela chega pela palavra dita ao microfone, outras vezes pelo silêncio respeitoso de quem escuta, mas existem ocasiões em que ela se manifesta da forma mais poderosa que eu conheço: o afeto.
Na última semana, tive a honra de ser o mestre de cerimônias de um evento realizado pela escola do parlamento da Câmara de Mairiporã. A proposta era discutir a comunicação como uma das maiores invenções da humanidade, reunindo estudantes, educadores e profissionais que dedicaram a vida a dar voz às ideias. Eu imaginava que seria mais um compromisso cumprido com responsabilidade e carinho, as foi muito mais que isso e fiquei profundamente emocionado.
Em determinado momento, fui surpreendido por uma homenagem preparada pelos alunos da Escola Municipal Nakamure Kikue Aiacyda. Entre palavras sinceras, olhares tímidos e abraços espontâneos, fui lembrado como um dos comunicadores de destaque da nossa cidade. Confesso que me senti pequeno diante da grandeza desse gesto.
Quem trabalha com comunicação, aprende cedo a lidar com os bastidores. Estou acostumado a apresentar os outros, contar histórias alheias e destacar trajetórias que merecem reconhecimento. Raramente paro para imaginar que, em algum lugar, alguém também acompanha a minha caminhada.
Talvez por isso aquela homenagem tenha me tocado tanto. Não pelo título nem pelos elogios, mas porque vieram de crianças. E criança não homenageia por obrigação. Criança reconhece aquilo que a faz sentir. O carinho delas não passou pelo filtro da conveniência. Foi verdadeiro, puro e despretensioso.
Pensei em quantas cerimônias conduzi ao longo dos anos. Quantos casamentos, eventos públicos, celebrações e encontros tive a alegria de apresentar. Em cada um deles, procurei fazer mais do que anunciar nomes e seguir protocolos. Sempre acreditei que comunicar é acolher. É emprestar a voz para valorizar histórias, conectar pessoas e dar dignidade aos momentos que merecem ser lembrados.
Naquela manhã, porém, os papéis se inverteram. Pela primeira vez em muito tempo, deixei de ser apenas quem conduzia a homenagem para experimentar a emoção de ser homenageado. Voltei para casa levando comigo algo que não cabe em fotografias nem em certificados. Levei a certeza de que a verdadeira grandeza do nosso trabalho não está na quantidade de pessoas que nos conhecem, mas na forma como permanecemos na memória delas. A gratidão é uma das mais belas formas de comunicação. E é justamente ela que desejo registrar aqui.
Minha gratidão à professora Alessandra, à professora Leire, aos profissionais envolvidos no projeto Vozes da Educação, aos comunicadores Fernando Vítolo e Érico San Juan, e, principalmente, aos alunos da Nakamure Kikue Aiacyda. Obrigado pelo carinho, pela generosidade e pela lembrança.
Se, de alguma forma, minhas palavras, meu trabalho e minha presença contribuíram para inspirar essas crianças a acreditarem na força da própria voz, então já recebi uma das maiores honrarias que a vida poderia oferecer. No fim das contas, talvez seja esse o verdadeiro sentido da comunicação: descobrir que as palavras que lançamos ao mundo, quando guiadas pelo respeito e pelo amor ao que fazemos, encontram morada no coração de alguém. E não há aplauso maior do que esse.
Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”