Você já deve ter ouvido essa expressão: trocar o certo pelo duvidoso. Já perdi boas oportunidades na vida por não querer arriscar. Hoje, percebo que nunca é possível ter certeza de que o certo é mesmo certeza e, ao mesmo tempo, passei a me questionar mais sobre até que ponto algo é duvidoso mesmo, já que o tal do duvidoso pode ser apenas insegurança. As boas oportunidades podem estar passando, feito o tal do cavalo que passa selado, para usar outro dito popular.
Na vida é preciso sim ter coragem. O grande erro é a gente se achar incapaz de recomeçar e dar uns passos para trás, caso seja preciso. Um grande amigo sempre me diz: “Você não é quadrado”. Exatamente! Para quem sabe e tem coragem, é sempre possível se virar e se reinventar. Ah, se eu tivesse esse pensamento, a vida poderia ter sido menos sofrida. Claro que valeram os calos e rugas, mas já sofri um bocado, caro leitor.
Com o tempo, descobri que muitas das certezas que eu tinha eram apenas zonas de conforto bem decoradas. Lugares onde a gente permanece não porque está feliz, mas porque conhece cada canto. E o ser humano tem dessas coisas: às vezes prefere uma tristeza conhecida a uma felicidade ainda não experimentada.
Também aprendi que o medo costuma ser um péssimo conselheiro. Ele raramente nos mostra a realidade; mostra apenas os riscos. Nunca fala das possibilidades, dos encontros, dos aprendizados e das portas que podem se abrir. O medo é especialista em nos convencer de que o caminho atual é seguro, mesmo quando já estamos caminhando em círculos.
Talvez a vida seja justamente isso: uma sucessão de apostas. Algumas dão certo, outras nem tanto. Mas até os erros carregam uma utilidade escondida. Eles nos ensinam, nos fortalecem e, principalmente, nos mostram que somos capazes de sobreviver ao que antes parecia impossível.
Hoje penso que o verdadeiro risco não é trocar o certo pelo duvidoso. O verdadeiro risco é deixar que os anos passem colecionando apenas aquilo que poderíamos ter feito. Arrependimentos costumam pesar mais que tentativas frustradas. O fracasso, quando acontece, ao menos encerra uma dúvida. Já a omissão costuma alimentá-la por uma vida inteira.
Por isso, quando surgir uma oportunidade, vale a pena refletir. Não apenas sobre o que pode dar errado, mas também sobre o que pode dar certo. Afinal, nem sempre o certo é tão certo assim. E, muitas vezes, o duvidoso é apenas a vida nos convidando para um capítulo novo que ainda não tivemos coragem de escrever.
Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”