Os votos inválidos (brancos e nulos) nas últimas duas eleições gerais em Mairiporã (2018 – 2022), sem levar em conta os pleitos municipais, são maioria esmagadora quando se trata de candidaturas ao Senado da República.
A reportagem do Correio Juquery realizou um levantamento acerca dessa disputa no município, e a constatação é que a figura do senador sempre foi distante do dia a dia das pessoas, o que leva a um menor engajamento de eleitores – e isso resulta em grande quantidade de votos brancos e nulos.
Dois últimos – Em 2018, foi registrado o recorde de votos inválidos na cidade. O resultado das urnas mostrou 23,11% de votos brancos e 11,49% de nulos, que juntos alcançaram praticamente 1/3 do colégio eleitoral, ou seja, 34,60%.
O cenário foi um pouco melhor na disputa em 2022, mas ainda assim elevado: 9,48% votaram em branco e 10,84% anularam o voto, resultando na perda de 20,32% dos sufrágios.
A expectativa para a eleição de outubro deste ano, quando cada Estado vai eleger dois senadores (54 das 81 cadeiras em disputa), não é nada animadora. O quadro pode repetir 2022 ou até mesmo se aproximar do patamar verificado em 2018.
Pesquisa – O Instituto Paraná Pesquisa divulgou na semana passada a preferência do eleitor sobre as candidaturas ao Senado por São Paulo, com os seguintes números: Maria Silva (Rede) 37%, Simone Tebet (PSB) 32%, Guilherme Derrite (Progressistas) 27% e Ricardo Salles (Novo) 19,2%.
Desafio – A disputa ao Senado enfrenta dificuldades históricas para mobilizar o eleitorado. Diferentemente de prefeitos, vereadores ou mesmo governadores e deputados, o senador tem uma atuação menos visível no cotidiano da população, o que dificulta a identificação do eleitor com o cargo e seus ocupantes.
Além disso, campanhas ao Senado costumam ser mais amplas, voltadas a todo o Estado, o que dilui a presença local dos candidatos em cidades como Mairiporã. Esse distanciamento, somado ao desconhecimento sobre as funções do Senado, contribui diretamente para o alto índice de votos inválidos, que acabam sendo uma forma de desinteresse ou protesto por parte do eleitor. (Juarez César/CJ – Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)