Querida pessoa que sente falta,
Escrevo para você que acordou pensando naquela amizade bonita e presente, mas que agora já é distante ou ausente. Para você que abriu os olhos e, antes mesmo de levantar-se, já sentiu o peso de uma lembrança que não pediu licença para voltar. Você pensou nas risadas, nos áudios longos, nas conversas que atravessavam o dia sem esforço. Pensou na troca diária que, de repente, deixou de existir. E mesmo sabendo o que aconteceu, mesmo tendo consciência dos caminhos que se separaram, ainda assim se pergunta: em que momento a gente se perdeu?
Tem coisas que ninguém mais entende. Brincadeiras que só faziam sentido entre vocês. Referências soltas, cantorias nos karaokês e na vida, olhares que já diziam tudo, e até aquela música de RBD tocando por aí, como se o mundo resolvesse cutucar exatamente onde ainda dói.
Sentir falta é estranho, porque não é só sobre a pessoa, é sobre quem você era quando estava com ela. É sobre a leveza que existia, sobre a versão sua que ria mais fácil, que se sentia compreendida sem precisar explicar tanto. É sobre um tempo que não volta, mesmo que a vontade insista em revisitar.
E talvez o mais difícil seja aceitar que nem toda ausência vem de um fim dramático. Às vezes, as coisas simplesmente se desfazem, sem grandes explicações. Só vão ficando mais espaçadas, mais silenciosas, até virarem memória. Mas quero te dizer uma coisa com muito cuidado: o fato de ter acabado não diminui o que foi. Aquela amizade existiu. Foi real. Foi importante. E deixou marcas bonitas, mesmo que agora elas venham acompanhadas de um certo aperto no peito.
Você não precisa fingir que não sente. Não precisa apressar o esquecimento, nem transformar tudo em indiferença para parecer mais forte. Sentir falta também é uma forma de amor que ainda não encontrou onde pousar. Com o tempo, essa saudade muda de lugar. Ela deixa de doer todos os dias e passa a aparecer em pequenos detalhes, numa música, numa frase, numa coincidência qualquer.
Aos poucos, você percebe que consegue lembrar sem se desmontar. Mas a saudade ainda está ali. Saudades do que vocês eram juntos, da família de amigos que formaram, de todo o apoio e toda a troca, do carinho e das alegrias.
E talvez o que mais doa seja justamente isso: você não queria que tivesse sido assim. Não queria que virasse silêncio, nem lembrança, nem passado. Queria que tivesse continuado, que tivesse encontrado um jeito de ficar, de se ajustar, de sobreviver às fases difíceis. Porque algumas conexões parecem fortes demais para acabar, mas ainda assim, acabam. E aceitar isso não é simples. É um tipo de despedida que acontece sem cerimônia, sem ponto final claro, só com a sensação persistente de que ainda cabia mais história ali.
Talvez a vida não seja sobre manter tudo para sempre, mas sobre reconhecer o valor do que passou pela gente. Algumas pessoas vêm para ficar. Outras vêm para ensinar. E há aquelas que fazem as duas coisas, mesmo que só por um tempo.
Com carinho, para quem sente falta… mas também segue.
Drielli Paola – @drielli_paola. Servidora Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo. Bacharel em Direito, com pós-graduação e extensões universitárias na área jurídica. Entusiasta de psicologia, história, espiritualidade e causa animal. Apaixonada pela escrita.