Uma geração que aprendeu a lidar com emoções em isolamento

Entender a quietude dos jovens exige um olhar atento sobre as profundas transformações ocorridas na forma como as novas gerações processam sentimentos complexos, segundo Patrick Silva em seu artigo no Correio Brasiliense.

O silencio nem sempre indica um afastamento afetivo deliberado, mas sim um seguro de autorreflexão construído de maneira solitária. Respeitar esse momento de recolhimento é fundamental para fortalecer os laços de confiança e amor sincero.

Em Psychologg Today, o Ph.D. Carl E.Pickhardt considera que “a necessidade de privacidade na adolescência é um marcador biológico de maturação cognitiva”, entretanto, muitos cuidadores sentem-se excluídos quando percebem que seus descendentes preferem resolver dilemas internos sem buscar ajuda imediata. Essa interpretação equivocada fera uma tensão que pode afastar quem se ama. O silêncio deve ser visto como uma ferramenta de processamento individual, notadamente, por outro lado, o silêncio é interpretado como falta de afeto.

A necessidade de isolamento reflete a busca por uma autonomia emocional que foi incentivada pelo excesso de informações digitais disponíveis no cotidiano moderno e, portanto, os jovens aprenderam a encontrar respostas rápidas por conta própria, o que altera a dinâmica tradicional de troca de experiência entre pais e filhos, adultos e adolescentes. Valorizar essa independência é o primeiro passo para uma convivência mais equilibrada e agradável.

Importante valorizar essa independência do adolescente, entretanto é preciso reconhecer que o adulto que não foi formado com por esse ‘modelo’ de maturação cognitiva e, ainda, pouco utiliza tais informações digitais tende a optar por insistir com sua receita de maturação cognitiva tangenciando com as dos seus parceiros adultos, pais, professores, amigos, entre outros formadores de em nossa adolescência.

Os adultos ao imporem suas receitas de ‘amadurecimentos’ acabam criando desconfortos e se distanciam dos adolescentes dessa geração que se defende transformando esse isolamento de maturidade cognitiva em isolamentos constantes e muito mais constantes, comprometendo a relação de confiança entre adolescentes e adultos.

É preciso entender que esse isolamento ajuda na regulação das emoções dos adolescentes. Esse tempo de quietude absoluta favorece a identificação de sentimentos que poderiam ser abafados pela presença constante de outras pessoas ao redor. O reconhecimento funcional como uma forma de proteção da saúde mental e física está nesse processo de amadurecimento solitário que deve ser respeitado por toda a família, os adultos ao seu redor, educadores e amigos.

Essio Minozzi Jr. licenciado em Matemática e Pedagogia, Pós-Graduado em Gestão Educacional – UNICAMP e Ciências e Técnicas de Governo – FUNDAP, foi vereador e secretário da Educação de Mairiporã.